Rogério Andrade gastava R$ 6 milhões por mês para manter jogo do bicho, diz MPRJ
Rogério Andrade — Foto: Reprodução
Por Ben-Hur Correia e Márcia Brasil
Uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), dentro da Operação Calígula, mostra que, até ser preso em agosto, Rogério Andrade tirava R$ 6 milhões do caixa, todo mês, para pagar despesas da estrutura do jogo do bicho. Esse balancete estava em uma planilha encontrada pelos agentes.
Esses R$ 6 milhões mensais contemplavam pontos da contravenção nos bairros cariocas de Abolição, Bangu, Barra da Tijuca, Estácio, Jacarepaguá e Marechal Hermes.
A planilha revela gastos detalhados, como:
- R$ 724 mil para “levados”, pontos explorados em áreas que não eram de Rogério;
- R$ 119 mil para IPVA e multas dos carros
- R$ 117 mil com aluguel de prédios;
- R$ 22 mil para a “folha de pagamento” em um dos pontos de apostas em Bangu;
- R$ 26 mil para “segurança” em Bangu;
- R$ 27,8 mil para Marechal Hermes;
- R$ 12 mil para “jogar futebol”.
Há provisionamentos também para pagamento a “pensionistas”.
A Operação Calígula
A investigação do MPRJ revelou que Rogério Andrade e o ex-PM Ronnie Lessa, acusado de executar a vereadora Marielle Franco, começaram a abrir pontos do jogo do bicho em conjunto na cidade em 2018.
Em maio, 14 pessoas foram presas, incluindo a delegada Adriana Belém e o delegado Marcos Cipriano. Em agosto, Rogério Andrade e o filho Gustavo Andrade, foram presos. Belém foi solta na quarta-feira (19).
Fora a propina
Segundo o Ministério Público, esses R$ 6 milhões mensais não incluem os valores desembolsados pela organização para corrupção de agentes públicos.
Em agosto, o MPRJ revelou tabelas de pagamento apreendidas em três aparelhos telefônicos que, somadas, chegaram a R$ 750 mil.
Eram pagamentos periódicos a diversos órgãos das polícias Civil e Militar, como as delegacias do Tanque, da Taquara, da Praça Seca e do Recreio dos Bandeirantes e os batalhões da PM de Jacarepaguá, Rocha Miranda e Recreio dos Bandeirantes.
O que dizem os envolvidos
A defesa de Rogério Andrade afirmou que, mais uma vez, não teve acesso a quaisquer peças processuais.
As polícias Civil e Militar informaram que o caso está sendo investigado pelas corregedorias.