Rússia ataca Ucrânia com mais de 600 mísseis e drones, e Zelenski anuncia reunião com Trump
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante visita à Noruega, em 20 de março de 2025 — Foto: NTB/Ole Berg-Rusten/via REUTERS
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, anunciou que se reunirá com Donald Trump às margens da Assembleia-Geral das Nações Unidas na próxima semana, em um momento de intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia.
A Rússia voltou a fazer um ataque aéreo robusto na madrugada de sábado (20), com o lançamento de 40 mísseis e 580 drones contra a Ucrânia em uma ofensiva que matou três pessoas e deixou dezenas de feridos, segundo o governo de Zelenski.
Por sua vez, o Exército ucraniano também lançou um ataque com drones e matou quatro pessoas na região russa de Samara, a 800 km da frente de batalha, publicou o governador local nas redes sociais.
Enquanto isso, a tentativa dos Estados Unidos de acabar com a guerra está paralisada. A Rússia descartou uma reunião entre o presidente Vladimir Putin e Zelenski, o que para Kiev seria a única maneira de alcançar a paz.
“Esperamos sanções se não houver uma reunião entre os líderes ou, por exemplo, a implementação de um cessar-fogo”, disse Zelenski, segundo o gabinete da Presidência ucraniana.
“Estamos prontos para uma reunião com Putin. Eu falei sobre isso. Tanto bilateral quanto trilateral. Ele não está pronto”, acrescentou.
A Ucrânia também exige garantias de segurança apoiadas pelo Ocidente para impedir futuros ataques russos em caso de um acordo de paz. Mas Putin alerta que qualquer plano que considere o envio de tropas ocidentais ao território seria inaceitável.
No ataque aéreo mais recente feito pela Rússia contra a Ucrânia, “um míssil com munições de fragmentação atingiu diretamente um edifício residencial” na cidade de Dnipro, escreveu Zelenski em suas redes sociais.
O chefe de Estado ucraniano publicou imagens de carros e um prédio em chamas, enquanto equipes de emergência retiravam uma pessoa dos escombros.
Os ataques aconteceram um dia após três aviões de combate russos violarem o espaço aéreo da Estônia, país membro da Otan na margem leste da aliança, uma acusação negada por Moscou.
A incursão provocou temores no Ocidente de uma escalada no conflito com a Rússia, após a Polônia ter reclamado na semana passada que quase 20 drones russos sobrevoaram seu território.
Zelenski reiterou o apelo para encontrar “soluções conjuntas” para derrubar drones sobre a Ucrânia “com outros países”.
A Rússia, que avança no território ucraniano há meses, anunciou neste sábado que suas tropas capturaram a localidade de Berezove, na região de Dnipropetrovsk.
A região de Kharkiv, no nordeste do país, era cenário de “ações intensas” na área estratégica de Kupiansk, um centro ferroviário que a Ucrânia recuperou em sua ofensiva de 2022, informou Zelenski.
O Estado-Maior ucraniano afirmou que os ataques contra a Rússia foram direcionados contra “alvos estratégicos do agressor” e que suas forças provocaram danos à refinaria de petróleo de Saratov e à refinaria de Novokuibishevsk, em Samara.
“As informações preliminares indicam que explosões e incêndios foram registrados no local em consequência do ataque”, afirmou o Estado-Maior nas redes sociais.
Três rodadas de negociações de paz diretas entre Rússia e Ucrânia em Istambul não registraram avanços para acabar com a guerra, embora tenham sido firmados acordos para algumas trocas de prisioneiros.
A Rússia não recua em suas exigências até agora tida como inegociáveis, incluindo que a Ucrânia ceda completamente a região leste do Donbass, que as tropas russas controlam parcialmente.
Kiev rejeita de forma categórica a possibilidade de fazer concessões territoriais e deseja que tropas europeias sejam enviadas à Ucrânia como parte de uma força de paz, o que Moscou diz ser inaceitável.