Saiba quem era o líder do Grupo Wagner morto após queda de avião na Rússia
Redação 24 de agosto de 2023 0
Yevgeny Prigozhin. Foto: Reprodução
Por Ana Flávia Castro e Guilherme Goulart
Yevgeny Prigozhin, líder do grupo Wagner e possivelmente morto em um acidente de avião, na quarta-feira (23/8), ficou conhecido mundialmente como o homem que desafiou o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Em junho, ele tentou liderar um motim em sinal de vingança contra o comando militar do país, e acabou exilado para a Bielorrússia.
Ele morreu após a queda de um jato particular na região de Tver, na Rússia. Além do líder mercenário, outras nove pessoas estavam a bordo da aeronave, que partiu de Moscou rumo a São Petersburgo. A informação foi confirmada pelo Ministério de Situações de Emergência russo.
No entanto, antes de ficar famoso por desafiar o chefe do Kremlin, Prigozhin era amigo próximo de Putin; já vendeu cachorro-quente, foi dono de restaurantes e figurava na lista de procurados pelo FBI, a polícia federal dos Estados Unidos.
Prigozhin era o líder do Grupo Wagner, um exército de mercenários que foi empregado em diversas guerras, inclusive na atual invasão do território ucraniano pela Rússia (saiba mais sobre o grupo abaixo).
Envolvimento com políticos e espiões
Nascido em São Petersburgo, mesma cidade natal de Putin, Prigozhin perdeu o pai cedo e, após praticar alguns assaltos no fim de 1980, acabou condenado a 13 anos de prisão.
Segundo o jornal The Guardian, depois de solto, ele comandou um pequeno negócio de cachorro-quente e cresceu no ramo empresarial, tendo participação em uma rede de supermercados. Em 1995, abriu restaurantes com sócios.
Foi em um desses restaurantes que Prigozhin se aproximou de políticos russos e espiões da KGB, principal organização de serviços secretos durante o período soviético. A partir de então, ele trilhou uma carreira meteórica no governo da Rússia, culminando com a criação do Grupo Wagner, em 2014.
De acordo com a BBC, Prigozhin usou o conhecimento das prisões da Rússia para recrutar mercenários, sem se importar com a gravidade dos crimes cometidos.
Motim contra Putin
Inicialmente, a empresa paramilitar contratada pelo Kremlin atuou ao lado da Rússia na guerra contra a Ucrânia, mas se rebelou depois que Prigozhin acusou o exército de Putin de lançar um ataque com foguetes que matou dezenas de combatentes do Grupo Wagner.
Em abril, ele já havia criado mal-estar com o líder russo ao defender o fim da guerra da Ucrânia.
Em uma escalada na rivalidade entre Prigozhin e comandantes militares russos, o líder mercenário afirmou que as forças dele marchariam sobre Rostov. Foi o que aconteceu em junho.
Além do papel de Prigozhin na Guerra da Ucrânia, a crueldade e a violência nos campos de batalha fizeram com que o FBI prometesse a recompensa de US$ 250 mil a quem der informações sobre o líder do Grupo Wagner.
Segundo o The Guardian, ele é movido pela crença de que luta contra as elites corruptas. Prigozhin também é conhecido por executar desertores. O líder mercenário promove uma cultura de medo e utiliza uma ferramenta como símbolo de terror e tortura: o martelo.
Ao longo dos últimos anos, os mercenários que provocaram uma crise no Kremlin, acumulam acusações de extermínio, estupros coletivos e tortura. O primeiro registro de ataque a “marteladas” foi em 2017, quando um soldado do exército do governo, liderado por Bashar Al-Assad, foi torturado.
Em 2022, novas denúncias apareceram quando vazaram imagens da agressão a um integrante da milícia, que tentou deixar o grupo e acabou espancado com a mesma marreta usada na Síria.
O grupo Wagner
Surgido em 2014, o Grupo Wagner é uma companhia privada de mercenários que atuam em guerras pelo mundo. Desde o ano de fundação, a milícia está presente na península ucraniana da Crimeia e chegou a ajudar forças separatistas apoiadas pela Rússia a tomar a região.
Depois que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 2022, o governo russo contou com a ajuda do grupo para avançar nas batalhas contra o exército de Volodymyr Zelensky, como nos embates das cidades de Bakhmut e Soledar.
Quem integra o grupo?
Acredita-se que o grupo paramilitar seja composto principalmente por ex-soldados de elite do exército russo, além de prisioneiros e civis do país de Putin. Em um vídeo que circula na internet desde setembro de 2022 mostra o líder do Wagner, Yevgeny Prigozhin, no pátio de uma prisão russa.
Ele fala com uma multidão de condenados e promete que, se eles atuarem na Ucrânia por seis meses, suas sentenças seriam alteradas. Estima-se que o Grupo Wagner tenha até 20 mil soldados lutando na Ucrânia.