Secretário-geral da ONU diz que meta de 1,5°C é inegociável e que espera Trump

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O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, durante coletiva de imprensa na COP30, em Belém (PA) - Anderson Coelho/Reuters

Em discurso na manhã da quinta-feira (20) em Belém (PA) durante a COP30, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que o acordo firmado no evento proteja populações, corte emissões de gases de efeito estufa e traga mais financiamento.

Ele usou a oportunidade para passar um recado aos negociadores e ministros presentes na cúpula. “Por favor, engajem nas discussões com boa-fé para chegar a um compromisso”, disse. “Manter a meta de 1,5°C deve ser a sua única ‘linha vermelha'”, acrescentou, em referência ao jargão usado para tratar de condições inegociáveis.

O Acordo de Paris, firmado em 2015, diz que os países precisam se esforçar para, até o ano 2100, conter o aquecimento global em 1,5°C ou, no máximo, 2°C acima do patamar anterior à Revolução Industrial (1850-1900).

Questionado sobre que mensagem esta COP deveria mandar a Donald Trump —que novamente tirou os Estado Unidos do Acordo de Paris e não enviou uma delegação a Belém—, afirmou: “Estamos te esperando”.

Quanto à possibilidade de o presidente americano se envolver no debate climático de uma forma positiva, o português, sorrindo, apelou para um ditado popular. “A esperança é a última que morre”.

Grande parte do discurso de Guterres foi focada no tema da adaptação, que trata da necessidade de adequar infraestruturas e fornecer preparo e proteção às pessoas diante das consequências do aquecimento global. O assunto é um dos principais sendo discutidos na COP30, e as negociações não têm avançado rapidamente.

“Para milhões, a adaptação não é um objetivo abstrato. É a diferença entre reconstruir e ser levado pela correnteza, entre replantar e morrer de fome, entre permanecer em terras ancestrais ou perdê-las para sempre”, alertou.

Ele afirmou, ainda, que as necessidades de adaptação estão aumentando vertiginosamente e o “overshoot” as elevará ainda mais. O termo é usado pelos cientistas para definir a ultrapassagem da meta de 1,5°C de aumento na temperatura, o que resulta em mais eventos climáticos extremos.

“Triplicar o financiamento para adaptação até 2030 é essencial”, disse, ressaltando o papel dos países desenvolvidos em fornecer os recursos, além de outros entes. “Exorto todos os financiadores, parceiros bilaterais, fundos climáticos e bancos multilaterais de desenvolvimento a intensificarem seus esforços e evitarem novas tragédias. Trata-se de sobrevivência”.

Na última terça-feira (18), negociadores que representam os países mais pobres do mundo pediram mais recursos para adaptação climática.

Segundo o mais recente relatório da própria ONU sobre o tema, o financiamento aos países em desenvolvimento para adaptação foi estimado em US$ 26 bilhões em 2023. O órgão calcula que essa demanda será de US$ 310 bilhões a US$ 365 bilhões anuais em 2035. Assim, o fluxo de recursos precisará aumentar em pelo menos 12 vezes.

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