Sem avanço por cessar-fogo, Israel anuncia ampliação de ofensiva terrestre em Gaza
Vista da fronteira de Israel com a Faixa de Gaza mostra fumaça se espalhando devido aos bombardeios israelenses no território palestino sitiado, em 18 de maio de 2025 - Menahem Kahana/AFP
O Exército israelense afirmou no domingo (18) que iniciou operações terrestres extensas em todo o norte e sul da Faixa de Gaza. O anúncio foi feito depois que uma nova rodada de negociações indiretas entre Israel e o grupo terrorista Hamas no Qatar não avançou, segundo fontes de ambos os lados ouvidas pela agência Reuters.
De acordo com o gabinete do premiê Binyamin Netanyahu, as negociações incluíram discussões sobre uma trégua e um acordo de reféns, bem como uma proposta para encerrar a guerra em troca do exílio de militantes do Hamas e da desmilitarização do enclave, termos que a facção rejeitou anteriormente.
A intensificação da ofensiva no território faz parte da operação Carruagens de Gideon, que prevê a tomada completa de Gaza por Israel, a remoção forçada da população palestina e a rendição do Hamas. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, ao menos 464 palestinos foram mortos na última semana —e os bombardeios mataram outras 130 pessoas apenas na madrugada de domingo.
“Famílias inteiras foram apagadas do registro civil pelo bombardeio israelense [durante a noite]”, disse Khalil Al-Deqran, porta-voz do Ministério da Saúde local, à Reuters.
Também no domingo (18), o Exército israelense emitiu uma ordem de evacuação de várias áreas ao sul de Gaza. “Este é um aviso preliminar e final antes do ataque. Para sua segurança, vocês devem se deslocar imediatamente para o oeste, aos refúgios conhecidos de Al Mawasi”, disse o comunicado.
Mais cedo, no domingo (18), um comunicado do gabinete de Netanyahu disse que Israel só vai negociar o fim da guerra com o grupo terrorista Hamas se houver desmilitarização da Faixa de Gaza, além do exílio da facção.
As negociações indiretas entre Israel e Hamas, que estão ocorrendo desde sábado em Doha, capital do Qatar, incluem discussões sobre o fim da guerra, bem como uma proposta de trégua e acordo de libertação de reféns.
Um alto funcionário israelense disse que até o momento houve pouco progresso na mediação, que está sendo feita por diplomatas do Egito e do Qatar, com apoio dos Estados Unidos.
Israel tem bloqueado a entrada de suprimentos médicos, alimentos e combustível em Gaza desde o início de março para pressionar o Hamas a libertar reféns israelenses. O Hamas afirma que só libertará os reféns em troca de um cessar-fogo israelense.
A Sky News Árabe e a BBC relataram durante a madrugada que o Hamas teria proposto libertar cerca de metade dos reféns israelenses em troca de um cessar-fogo de dois meses e da libertação de prisioneiros palestinos detidos por Israel.
Contatado pela Reuters, um funcionário do Hamas disse: “A posição de Israel não mudou, eles querem seus prisioneiros libertados sem se comprometer a encerrar a guerra.”
Complicando ainda mais as negociações, reportagens na mídia israelense e árabe indicaram que o líder do Hamas, Mohammed Sinwar, pode ter sido morto. O grupo não confirmou nem negou os relatos. O Ministério da Defesa de Israel também não comentou imediatamente.
Em Israel, Einav Zangauker, mãe do refém Matan Zangauker, disse que Netanyahu está se recusando a encerrar a guerra em troca da libertação dos reféns restantes por motivos políticos. “O governo israelense ainda insiste apenas em acordos parciais. Eles estão nos torturando deliberadamente. Tragam nossos filhos de volta já! Todos os 58”, disse Zangauker em uma postagem na rede social X.