O grupo encabeçado por Lira é seguido por outro, do MDB, com 142 deputados. Integram o bloco os partidos MDB, PSD, Republicanos, Podemos e PSC.
Já as duas maiores bancadas na Câmara, o PL (sigla de Jair Bolsonaro) e o PT (de Lula), ficaram de fora da formação dos blocos que dividem as forças de centro.
“Governabilidade nas mãos do Centrão”
A ausência de um bloco do partido do governo fez petistas da velha guarda ficarem insatisfeitos. Reservadamente, líderes avaliaram que Lula entregou a governabilidade nas mãos do Centrão, o mesmo erro de Jair Bolsonaro, e isso atrapalha a condução dos trabalhos no Congresso. “Se somos governo, temos que ter um bloco nosso, mas não temos”, afirmou um parlamentar.
Sem consenso, deputados recém-eleitos do PT avaliaram que o governo espera “organizações dos partidos” para conseguir negociar e que qualquer grupo fora de um “bloco do governo” seria oposição, o que dificultaria mais a articulação.
O líder do Solidariedade, o deputado Áureo Ribeiro (RJ), afirmou à reportagem que a desorganização dos governistas atrapalha. “Temos reuniões para marcar reuniões e outra reunião… isso nos faz perder tempo. Terão que ser mais objetivos. [O governo] precisa de decisões mais acertadas. Está sem entrosamento”, avaliou.
A falta de articulação recaiu sobre o Ministério das Relações Institucionais, chefiado por Alexandre Padilha. Congressistas avaliam que o ministro “não foi uma escolha acertada” e que o gabinete “precisa de alguém de centro”.
A pasta de Padilha funciona como uma “ponte” entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional com o objetivo de garantir governabilidade.
Do outro lado, parlamentares de centro acreditam que a “falta de articulação” é refletida, principalmente, na economia. As críticas ao “excesso de conversa” são unânimes. Uma liderança do partido de Lira avaliou que “muito se conversa, mas não se resolve nada”.
Há, ainda, avaliações de caciques de que presidente da Câmara dos Deputados é utilizado como uma espécie de “terceira via” do governo pela falta de articulação do Palácio com o Congresso. “Lira não é uma terceira via porque busca essa responsabilidade, mas empurram isso para ele porque não têm para onde jogar”, afirmou um deputado em caráter reservado.