Sindicância do GSI aponta falha na comunicação no 8 de janeiro e pede procedimento acusatório contra dois militares

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vandalismo 8 de janeiro

Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Julio Mosquera, Felipe Trigueiro e Vinícius Cassela

A sindicância do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) sobre a invasão de extremistas ao Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro apontou falha na comunicação como um dos fatores que prejudicaram a ação contra os vândalos. A sindicância também pede abertura de procedimentos acusatórios (investigação interna) contra dois militares (veja mais abaixo).

A investigação administrativa interna do GSI durou quatro meses. De 31 de janeiro a 6 de junho.

A sindicância concluiu que as deficiências no fluxo e na qualidade de informações de inteligência “constituíram fator determinante para o dimensionamento insuficiente das equipes de segurança presentes no Palácio do Planalto”.

O documento afirma que o GSI não recebeu qualquer e-mail da Secretaria de Segurança Pública do DF alertando sobre a dimensão dos atos extremistas.

E que o correio SISBIN, um dos canais oficiais de transmissão entre a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o GSI também não enviou nenhum informe oficial.

O aplicativo Radar, da Abin, que poderia ser outro canal seguro para repassar informações de inteligência, não estava funcionando desde o ano passado.

E o grupo de mensagens chamado CIISP/DF-Manifestação, da Secretaria de Segurança do DF, que informava os órgãos locais e federais, recriado no dia 7 de janeiro, tinha como único representante do GSI o tenente-coronel da PM, Jáder Silva dos Santos, que estava de folga desde o fim do ano.

O tenente-coronel afirmou à sindicância que só se deu conta de que participava do grupo durante os acontecimentos do dia 8 de janeiro.

Mesmo assim, a sindicância sugeriu à Polícia Militar do DF abrir procedimento acusatório contra o tenente-coronel por considerar que o fato de ele estar de folga não o isentava da responsabilidade de alertar as autoridades.

O documento final ainda sugeriu ao Exército a abertura de procedimento acusatório contra o então chefe da Coordenadoria de Avaliação de Risco, coronel Alexandre Santos de Amorim, porque ele deveria ter alertado sobre a gravidade da situação.

A investigação administrativa inocentou de responsabilidades o ex-ministro do GSI, Gonçalves Dias.

O ex-ministro apareceu em imagens dentro do palácio conversando com os extremistas. Ele disse à sindicância que estava no local para retirar os manifestantes. E que as imagens em que ele aparece foram retiradas de contexto.

O major José Eduardo Natale, flagrado dando água para os manifestantes, não foi punido.

A sindicância também concluiu que houve indícios de deficiências no processo de comando e controle durante a invasão do Palácio do Planalto.

E, por isso, determinou que a revisão do Plano Escudo e das regras de engajamento de segurança das instalações do Planalto.

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