Telegram não está colaborando com investigações, diz Polícia Federal
Telegram. Foto: Reprodução
A Polícia Federal afirmou que o Telegram ainda não entrega “respostas efetivas” aos questionamentos feitos sobre investigações que envolvem a plataforma. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.
Segundo o delegado Cléo Mazzotti, chefe da divisão de Repressão a Crimes Fazendários da Polícia Federal, área onde fica o setor responsável pelo combate aos crimes cibernéticos, são necessárias mais reuniões com representantes da empresa para que as apurações avancem.
“A PF ainda está tentando conversar com o escritório [que passou a representar o Telegram após a decisão do Supremo] para alinhavar caminhos, ver qual a melhor forma de encaminhar e ter os pedidos atendidos. O fato é que até o momento não estamos tendo respostas efetivas ao que foi solicitado [nas investigações]”, afirma Mazzotti.
A avaliação da PF é que o aplicativo é usado para a prática de crimes por ser um ambiente onde é fácil manter o anonimato com segurança. Entre os crimes mais cometidos por meio da plataforma está o compartilhamento de pornografia infantil.
Além disso, um dos principais receios é a disseminação de teorias conspiratórias e notícias falsas sobre as urnas em uma eleição já marcada pela forte polarização e radicalização política. A rede é constantemente defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).
O intuito dos encontros da PF com representantes do app é estabelecer protocolos sobre que tipo de conteúdo pode ser compartilhado com as autoridades. Também pretendem entender quais informações podem ser liberadas por pedidos mais simples, como via ofício, e quais exigem decisão judicial.
Durante os encontros, a PF perguntou o que a empresa precisa para conseguir responder aos questionamentos. De acordo com Mazzotti, a plataforma afirma que tem as mensagens criptografadas de ponta a ponta, o que impede a entrega de alguns dados.
No entanto, mesmo em casos mais simples, como pedidos de informações cadastrais e horários de trocas de mensagens, não são atendidos. O delegado diz que algumas investigações nem mesmo acionam o aplicativo, mesmo quando necessário, pois sabem que as demandas não receberão respostas.
Em março, o o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes acolheu pedido da PF e determinou o bloqueio da plataforma. A empresa evitou o banimento após assumir compromissos sobre moderação e combate à desinformação. Em maio, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assinou acordo de cooperação com o aplicativo.
Mazzotti, entretanto, ressalta que não acredita que há razões para acionar o STF. “Ainda entendo que não temos de comunicar [o Supremo]. Estamos conversando com a empresa”, diz o delegado.
Procurados pela reportagem, o Telegram e o advogado Alan Thomaz, que representa o aplicativo, ainda não se manifestaram.