Teremos maioria no Senado para ‘impichar’ Alexandre de Moraes, diz Eduardo Bolsonaro nos EUA

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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro durante discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em 2025 - SAUL LOEB/AFP

por Folha de S.Paulo

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou que, se o senador Flávio Bolsonaro (PL) for eleito, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), vai sofrer um processo de impeachment. A fala ocorreu na sexta-feira (27) durante o discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), nos EUA.

“Existe um prognóstico de que vamos ter maioria no Senado”, disse ele em referência à base aliada da direita. “Os futuros senadores vão ‘impichar’ o Alexandre de Moraes. Vamos chutar para fora esses juízes corruptos. No dia seguinte, vou processá-lo pela prisão, pelos crimes que ele cometeu e por quando ele me processou por crimes que eu não cometi.”

O ex-parlamentar, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, foi um dos principais defensores das taxações contra o Brasil e de punições contra Moraes, que caíram no fim do ano passado.

O ex-deputado se mudou para os Estados Unidos há um ano alegando sofrer perseguição no Brasil e perdeu seu mandato parlamentar por faltas.

No CPAC, afirmou que ele e a esposa têm contas bancárias congeladas. “Eles tiraram o meu passaporte, meu mandato. Agora, eu sou um ex-deputado. Não me deixam nem ser um policial federal no Brasil”, disse.

“Não temos medo de você, Alexandre de Moraes. Vamos vencer essas eleições, vamos perdoar Jair Bolsonaro, e os EUA terão o maior aliado no Brasil no ano que vem”, afirmou.

Como mostrou a Folha, Eduardo tem guiado Flávio em viagens internacionais para construir uma articulação estrangeira de extrema direita. O senador é pré-candidato pelo PL à Presidência e vai se apresentar no evento neste sábado (28).

Diferentemente do ano passado, quando discursou sozinho no palco da conferência, Eduardo dividiu o horário com outros convidados de diferentes países, como Austrália, Húngria, Japão e ex-primeira-ministra do Reino Unidos Liz Truss.

O presidente do CPAC, Matt Schlapp, afirmou que ama Eduardo, Flávio e Jair Bolsonaro. Disse também que esteve no Brasil e viu que nos livros didáticos “crianças com 9 anos aprendem que podem ser ativos sexualmente e trocar seu gênero”, sem apontar a que obra se referia.

Aliados do bolsonarista, o ex-parlamentar e o ex-comentarista da Jovem Pan, Paulo Figueiredo, têm intensificado pedidos para que a comunidade internacional acompanhe o processo eleitoral brasileiro. Na última semana, estava planejada a viagem de Darren Beattie, conselheiro para relações com o Brasil nos Estados Unidos, para o Brasil.

Beattie tentou uma visita a Jair Bolsonaro, que, em um primeiro momento, foi autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, mas depois foi proibida.

O juiz afirmou que a visita poderia configurar “indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”. Ele também disse que o pedido não se enquadra nos objetivos oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado, relacionados a entender o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro.

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