Ele explica que ajudou alguns vizinhos do bairro que ficaram desabrigados.

“Recebi todos em casa e eles passaram a noite connosco, porque, claro, para onde iam? Somos um dos poucos edifícios com energia, internet e água potável. Sinto-me grata, embora tudo isso ainda seja muito forte”, declara.

Ela acrescenta que a coisa mais chocante que viveu nas últimas 24 horas “é perceber que você está preso em sua casa enquanto isso acontece lá fora e vê imagens e vídeos na internet”.

“Quando você desce e vê os carros destruídos e as pessoas tristes, você realmente assimila que em um segundo a sua vida muda. Você se sente desamparado porque sabe que seus amigos estão com problemas e não pode sair para ajudá-los”, diz.

A cidade de Valência, onde vive a família de Victoria, foi parcialmente afetada pela tempestade, embora não tanto como outras localidades da região como Torrent, Chiva, Alfafar ou Paiporta. Só nesta última, foram registradas pelo menos 34 mortes e foi declarada uma “emergência humanitária”.

“Eu me sinto com sorte. Tenho uma amiga que mora num porão e perdeu tudo: a casa, as coisas, as lembranças. “Foi devastador”, diz ela em meio às lágrimas.