Toffoli autoriza, e PF abre inquérito para investigar atuação de influenciadores contra BC

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O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a abertura de um inquérito para apurar a rede de influenciadores que teria sido usada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para descredibilizar o BC (Banco Central).

A decisão atende a pedido da PF (Polícia Federal), que identificou aproximadamente 40 perfis que teriam sido contratados por Vorcaro para integrar o “Projeto DV”, referência às iniciais do empresário.

O recrutamento dos perfis em redes sociais que fizeram um bombardeio digital contra Banco Central e investigadores no caso Master envolveu um contrato de confidencialidade de R$ 800 mil. A equipe responsável pela articulação das publicações enviou mensagens a influenciadores em meados de dezembro.

Internamente, agentes da PF que acompanham o caso já chamam o esquema de “gabinete do ódio” de Vorcaro, em alusão à rede de influenciadores digitais de direita que era utilizada pelo governo de Jair Bolsonaro para espalhar fake news sobre o sistema eleitoral e sobre adversários políticos do ex-presidente.

Em petição ao STF, a defesa de Vorcaro disse que o empresário “nega veementemente qualquer envolvimento ou conhecimento sobre qualquer prática de difamação ou disseminação de fake news em face do Banco Central”.

A informação sobre os contratos de influenciadores foi antecipada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. “Ofereceram valores expressivos”, disse o influenciador Rony de Assis Gabriel (PL-RS), que também é vereador por Erechim, a 370 quilômetros da capital gaúcha. Ele foi procurado, em 20 de dezembro, pelo marketeiro André Salvador, que disse estar com um trabalho de “gerenciamento de reputação e gestão de crise de um executivo grande”.

Salvador contatou, em 21 de dezembro, o deputado estadual Léo Siqueira (Novo-SP). Na ocasião, o profissional de comunicação se apresentou como funcionário da agência Mithi, de Thiago Miranda, um dos sócios do Grupo Léo Dias. Ambos os parlamentares recusaram as propostas, de acordo com gravações de tela vistas pela reportagem.

O contrato enviado ao vereador gaúcho classifica como confidenciais as estratégias de comunicação, os planos e as informações jurídicas e financeiras, além dos nomes de qualquer participante da campanha —incluindo membros do time, parceiros e terceiros.

O documento determina multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo. Salvador enviou a Gabriel exemplos de vídeos com críticas à atuação do BC no caso Master feitos por três influenciadores especializados em temas financeiros e o perfil de humor Alfinetada.

Este último postou conteúdo contra o ex-diretor do BC Renato Gomes em 30 de dezembro, dizendo existirem especulações de que ele poderia ir para o BTG. A página Alfinetada é assessorada pelo Grupo Farol, que disse nunca ter sido procurado para negociar ou intermediar comunicação relacionada ao Banco Master. “A atuação da empresa se limita exclusivamente à representação de publicidade para as marcas, mas sempre dentro dos limites legais e normas estabelecidas pelo Conar”, afirmou o grupo.

A ofensiva alinhada aos argumentos da defesa do Banco Master mira o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, Renato Gomes. Foi a área dele que recomendou o veto à compra do Master pelo BRB e subsidiou os achados posteriormente relatados ao Ministério Público Federal.

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