Toffoli usa helicóptero para frequentar resort que uniu família do ministro a Vorcaro

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O Tayayá Aquaparque, resort de luxo em Ribeirão Claro (PR) - Reprodução

por Folha de S.Paulo

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli e seus irmãos, José Carlos e José Eugênio, continuam a frequentar o Tayayá Resort mesmo após a venda do negócio para o advogado Paulo Humberto Barbosa, apurou a Folha.

Toffoli chega ao local, na divisa de Paraná com São Paulo, de helicóptero e pousa em um heliponto exclusivo próximo à casa que mantém numa área próxima ao resort.

Entre funcionários e ex-trabalhadores do resort Tayayá, o ministro Toffoli e sua família ainda são citados como os donos do empreendimento, junto a Paulo Humberto Barbosa, advogado que atua para a JBS, dos irmão Batista.

A Folha mostrou que duas empresas ligadas a parentes do ministro tiveram como sócio um fundo de investimento conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades, de acordo com documentos e dados oficiais analisados. Depois, o controle passou para Barbosa.

A reportagem ficou hospedada no resort por duas noites e conversou, sob condição de anonimato, com cinco funcionários, uma ex-funcionária, moradores de Ribeirão Claro (PR) onde está localizado o empreendimento, além de dois hóspedes frequentes do hotel.

Toffoli é um frequentador regular do resort Tayayá, de acordo com relatos, usando um helicóptero como meio de transporte. O ministro foi observado no local pela última vez no Ano-Novo. Um funcionário disse que, na ocasião, ele foi visto caminhando pelo resort.

Quando está lá, Toffoli fica em uma casa localizada em uma parte mais reservada do Tayayá, em um local chamado Ecoview, uma vila de 18 casas no alto de um morro. O acesso mais recomendado é por carro ou com a van do hotel. O heliponto fica a poucos metros da casa de Toffoli, o que limita a sua exposição pública.

O resort fica às margens do lago de uma represa por onde passa o rio Itararé, e o ministro usa um barco do Tayayá que não está disponível para outros hóspedes para passeios.

O irmão do ministro Toffoli, José Eugenio Toffoli, é quem administrava o local enquanto a família tinha uma participação societária. Ele também tem uma casa no resort.

O ministro Toffoli foi procurado e não retornou o pedido de entrevista.

O resort Tayayá funciona no modelo de multipropriedades. Cada apartamento, flat, chalé ou casa é dividido entre cotistas, que se revezam para frequentar o local.

Cada casa do Ecoview é dividida entre 13 cotistas, e cada cota vale pouco mais de R$ 750 mil. As residências seguem um mesmo padrão: possuem três suítes, sala, cozinha e uma varanda com piscina. A maior parte das casas possui vista para a represa.

Um outro irmão, José Carlos Toffoli, que é padre, reza missas no local em datas festivas.

Em entrevista à Folha em sua casa no Ecoview, Paulo Humberto Barbosa disse que é o único proprietário do resort. Ele afirma que conheceu o local no fim de 2024 e desde então foi adquirindo participações no empreendimento até se tornar dono.

“Quando eu conheci aqui, foi em dezembro de 2024. As finanças [do resort] estavam abarrotadas, eles não tinham dinheiro para fazer novos investimentos, não tinha como crescer. Os funcionários ficavam todos sem saber quando iriam ser mandados embora, estava em decadência”, afirmou.

“Eu tenho grandes amigos de Londrina [PR] que são investidores aqui. Então eu vim para conhecer o complexo. Tentei comprar uma parte, não consegui. Depois fui negociando até que eu consegui comprar a participação”, completou.

Barbosa conta que encontrou Toffoli pelo resort no Ano-Novo, mas afirma não ter contato com o ministro.

Ele também diz não ter relação com o fundo de investimentos Arleen nem com o caso Master.

“Eu não tenho nada com o Master. Eu não conheço ninguém de Master, eu não conheço nada. Eu nunca, na minha vida, investi em nada. Acho que a única vez que eu investi em alguma coisa, e que eu me arrependi, foi em um consórcio”, disse à reportagem.

Durante quatro anos (entre 2021 e 2025), os irmãos de Toffoli José Eugenio Toffoli e José Carlos Toffoli dividiram o controle do Tayayá com o fundo de investimentos Arleen, que faz parte da intrincada rede montada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

As cotas do Arleen eram de propriedade de outro fundo, o Leal, que de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master.

Zettel foi alvo de uma operação da PF (Polícia Federal) enquanto tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A defesa dele não quis se pronunciar.

Os irmãos de Toffoli não responderam aos questionamentos da reportagem.

Atual proprietário do resort, Paulo Humberto Barbosa, que entrou no negócio em fevereiro de 2025, comprou a participação que era da Maridt, empresa de José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro do STF. Na época, o negócio foi estimado em R$ 3,5 milhões.

O primo do ministro do Supremo Mario Umberto Degani seguiu no negócio até setembro de 2025, quando também vendeu a sua parte para Paulo Humberto Barbosa. Hoje, Barbosa aparece como o dono único do Tayayá. Ele é advogado da JBS em Goiânia.

Barbosa afirma que pretende construir um novo prédio com mais 300 apartamentos e um condomínio reservado, na parte lateral do resort, com lançamento previsto para março, segundo ele.

Ele também fez um investimento de R$ 1,3 milhão para construir salas de bilhar e poker. Barbosa afirma que pretende expandir o entretenimento adulto no resort. Para entrar nesses ambientes, o hóspede terá de ter mais de 18 anos, segundo ele.

Atualmente, o Tayayá possui um mini cassino, que funciona à noite, operado pela Apostou, empresa privada de loterias. A Apostou é um dos sites de apostas esportivas que atuam de modo regulamentado no Paraná e podem operar no território estadual. De acordo com a empresa, os produtos são auditados pela Lottopar.

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