Trama golpista: defesas tentam evitar que réus se compliquem e apostam em respostas objetivas
Advogados dos réus que são alvos do processo que apura uma tentativa de golpe do governo Bolsonaro apostam em rodadas de conversas com os acusados — em uma espécie de treinamento, para garantir a linha de defesa do chamado “núcleo crucial”.
Nesta reta final antes do início dos interrogatórios, as defesas tentam evitar que os réus sejam surpreendidos com pontos da investigação. Os advogados relatam que orientaram seus clientes a serem objetivos nas respostas.
Há expectativa de que ao menos o ex-presidente Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres respondam às perguntas do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal.
➡️Os réus não são obrigados a falar. Eles podem recorrer ao silêncio para não produzir provas contra si mesmos, como define a Constituição.
Os advogados apontam ainda que a Procuradoria Geral da República (PGR), autora da denúncia, distorceu falas e reuniões para embasar a narrativa de que houve planejamento de um golpe de Estado com o objetivo de manter Bolsonaro no poder mesmo após a derrota nas eleições de 2022.
Segundo a PGR, o ex-presidente Bolsonaro liderou a organização criminosa.
Interrogatórios
Nesta fase, Bolsonaro e sete aliados próximos podem apresentar suas próprias versões sobre as acusações à PGR.
Durante o interrogatórios, os réus responderão a uma lista de questionamentos, fundamentais para o julgamento:
- se é verdadeira a acusação apresentada pela PGR e que deu início ao processo;
- se conhece a pessoa ou pessoas a quem deva ser imputada a prática dos crimes;
- onde estava ao tempo em que foi cometida a infração;
- se conhece as testemunhas e se tem o que alegar contra elas;
- se conhece o instrumento com que foi praticada a infração, ou qualquer objeto que com esta se relacione e tenha sido apreendido;
- se tem algo mais a alegar em sua defesa.
Para os investigadores, os depoimentos das testemunhas ouvidas nas últimas semanas ajudaram a confirmar que os réus, de fato, planejaram executar um golpe de estado e que as tratativas se desenvolveram principalmente no entorno militar do ex-presidente.