Trump ameaça Canadá com 100% de tarifas por aproximação à China

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversa com a imprensa no avião Air Force One - Jim Watson - 4.jan.25/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Canadá com tarifas no sábado (24). Em publicação na rede Truth Social, ele disse que aplicaria 100% de sobretaxa em todos os produtos canadenses se Ottawa concluir acordo em andamento com a China.

Trump voltou a chamar o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, de governador, em referência a ameaças do republicano de que anexaria o país vizinho, transformando-o no 51º estado americano.

“Se o governador Carney acha que pode fazer do Canadá um ‘porto de entrega e coleta’ para a China para enviar bens e produtos aos EUA, ele está gravemente equivocado. A China vai comer o Canadá vivo, devorá-lo completamente, incluindo a destruição de suas empresas, do tecido social e dos meios gerais de vida. Se o Canadá fizer um acordo com a China, será imediatamente atingido por 100% de tarifas contra todos os bens e produtos canadenses chegando aos EUA”, afirmou o presidente americano na publicação.

As rusgas entre os dois vizinhos norte-americanos se aprofundaram nas últimas semanas, principalmente em meio às ameaças de Washington de anexar a Groenlândia.

O assunto tomou conta do Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça), onde Trump, Carney e vários outros líderes discursaram. O americano chegou a indicar um recuo sobre a anexação da ilha dinamarquesa, mas segue dizendo que quer negociar a posse do território.

O discurso de Carney em Davos foi um dos mais duros do evento. Nele, o premiê evitou eufemismo e declarou que o momento geopolítico era de ruptura da ordem global, não de transição.

Carney chegou a citar e fazer referência a Vaclav Havel, expoente da crítica à União Soviética e primeiro presidente da República Tcheca após a dissolução da Tchecoslováquia na década de 1990, em seguida ao colapso da união socialista —uma sinalização nada tímida de que o canadense vê o momento como um ponto de inflexão que indica colapso da confiança entre os aliados.

Durante discurso de Trump em Davos, o americano disse que o Canadá “vive por causa dos EUA” e afirmou que Carney deveria agradecer por isso. “Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que fizer suas declarações”, ameaçou.

Na sequência das falas, na quinta (22), Trump retirou o convite que havia feito ao canadense para que o país se juntasse ao chamado Conselho da Paz, órgão criado e controlado pelo republicano com o objetivo de suplantar as Nações Unidas.

“Caro primeiro-ministro Carney: que esta carta sirva para comunicar que o Conselho da Paz retira o convite dirigido ao senhor a respeito da adesão do Canadá àquele que será o conselho de líderes mais prestigiado de todos os tempos”, escreveu Trump.

O governo de Carney já havia dito que não pagaria para se juntar ao colegiado, inicialmente criado para governar a Faixa de Gaza como parte do acordo de cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista Hamas.

Durante o primeiro ano de seu segundo mandato, Trump já ameaçou Canadá outras vezes —tanto em relação a uma possível anexação quanto a acordos econômicos. Em meio ao tarifaço global, o americano também impôs tarifas ao vizinho e chegou a interromper abruptamente as negociações comerciais com o país em junho, devido a um novo imposto canadense direcionado a empresas de tecnologia americanas.

As tratativas foram novamente negociadas e meses depois, em outubro, Trump as interrompeu mais uma vez após a veiculação de uma campanha publicitária do que ele chamou de uma propaganda mentirosa, na qual o ex-presidente americano Ronald Reagan aparece falando mal de tarifas comerciais.

“Eles só fizeram isso para interferir na decisão da Superma Corte e de outros tribunais”, escreveu Trump naquele momento. “Com base em seu comportamento ultrajante, TODAS AS NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS COM O CANADÁ ESTÃO ENCERRADAS”.

Logo em seguida, Carney se pronunciou e disse que se governo estava disposto a retomar os acordos comerciais com o vizinho. O Canadá é o segundo maior parceiro comercial dos EUA, depois do México, comprando US$ 349,4 bilhões em produtos norte-americanos em 2024 e exportando US$ 412,7 bilhões para os EUA, de acordo com dados do US Census Bureau.

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