Trump diz que não se importaria se alguém atirasse em jornalistas para atingi-lo

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Donald Trump - KAMIL KRZACZYNSKI/AFP

O candidato republicano à Presidência dos EUA, Donald Trump, disse em discurso a apoiadores no domingo (3) que não se importaria se alguém atirasse em jornalistas para atingi-lo.

O ex-presidente fez a afirmação após reclamar sobre lacunas no vidro à prova de balas ao seu redor.

“Para me acertar, alguém teria que atirar através das fake news, e eu não me importo tanto com isso”, disse, usando a expressão pejorativa que comumente escolhe para se referir à imprensa.

Em um discurso de 90 minutos, dois dias antes da eleição presidencial dos EUA, Trump observou que havia lacunas nas placas. Alguns membros da imprensa que seguiam Trump no evento em Lititz, na Pensilvânia, tinham uma linha de visão através de uma das lacunas.

O ex-presidente escapou de duas tentativas de assassinato neste ano, incluindo uma em que foi ferido na orelha por uma bala durante um comício em julho também na Pensilvânia.

A retórica de Trump tem se tornado cada vez mais desenfreada nas semanas finais da campanha. O principal promotor do Arizona abriu uma investigação na sexta-feira (1º), depois que Trump sugeriu que a ex-congressista Liz Cheney, republicana, mas crítica proeminente do ex-presidente, deveria ter armas apontadas contra ela.

O porta-voz da campanha de Trump, Steven Cheung, emitiu uma declaração após os comentários sobre a mídia. Ele disse que Trump estava preocupado com a segurança da imprensa.

“A declaração do presidente sobre a colocação do vidro protetor não tem nada a ver com a mídia ser atingida ou qualquer outra coisa. Tratava-se de ameaças contra ele, incentivadas por uma retórica perigosa dos democratas”, diz o comunicado.

Trump passou uma parte considerável de seu discurso atacando a mídia no comício, em determinado momento gesticulando para as câmeras de TV e dizendo: “ABC, é a ABC, fake news, CBS, ABC, NBC. Esses são, esses são, na minha opinião, na minha opinião, pessoas seriamente corruptas.”

Na última quinta-feira (31), Trump disse em uma entrevista que a ex-deputada Liz Cheney, que foi sua opositora no Partido Republicano, deveria ser enviada a uma zona de combate com armas apontadas para o rosto dela.

“Ela é radicalmente pró-guerra. Vamos colocá-la com um fuzil na mão com nove armas atirando contra ela. Vamos ver se ela gosta quando as armas estão apontadas para a cara dela”, disse Trump em uma conversa com o jornalista conservador Tucker Carlson no estado do Arizona.

Alguns veículos de imprensa dos EUA afirmaram que a menção a nove armas seria uma referência a um pelotão de fuzilamento.

Cheney é filha do ex-vice-presidente Dick Cheney e uma das principais adversárias de Trump no Partido Republicano desde 2020. Ela foi uma das poucas deputadas da agremiação a votar a favor do impeachment do então presidente após o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

Além disso, ela presidiu o comitê que investigou a invasão na Câmara dos Deputados, aprovando um relatório final que apontava Trump como responsável pelo ocorrido e pedia seu indiciamento. Ela não se reelegeu deputada nas eleições de 2022 e foi expulsa de posições de liderança do partido.

Outra fala de Trump ligada à violência ocorreu na terça (29), quando ele ignorou a polêmica racista sobre Porto Rico que envolveu sua campanha e afirmou que vai impor pena de morte para imigrantes que assassinarem cidadãos americanos, caso seja eleito. Ele não explicou, porém, como isso poderia ser feito, uma vez que atualmente cada estado tem sua própria política sobre execução de condenados da Justiça.

A pena de morte é empregada raramente em nível federal, em geral associada a crimes como traição ao país e espionagem. Das 16 execuções que ocorreram desde 2000, 13 foram no fim do governo Trump (2017-2021), segundo o Centro de Informação sobre Pena de Morte.

A promessa representou uma escalada dos ataques do candidato republicano contra imigrantes na reta final da eleição. Em sua fala em Mar-a-Lago, seu resort na Flórida, também disse que imigrantes que voltarem aos EUA depois de serem deportados serão presos por dez anos.

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