Trump diz que novo gold card ajudará a pagar dívida dos Estados Unidos

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O presidente eleito dos EUA, Donald Trump em discurso no AmericaFest, da Turning Point USA, em Phoenix, Arizona, EUA, em 22 de dezembro de 2024 - Cheney Orr/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quarta-feira (26) que o gold card —proposta em que a permissão de residência americana pode ser comprada por U$S 5 milhões (cerca de R$ 29 milhões)— ajudaria o país a pagar sua dívida pública ao mesmo tempo em que ofereceria às principais empresas uma maneira de atrair os melhores trabalhadores imigrantes.

A venda do gold card, que oferece a seu portador a possibilidade de se tornar cidadão americano, deve começar em cerca de duas semanas. As declarações de Trump ocorreram durante a primeira reunião de gabinete de seu segundo mandato —o presidente havia mencionado a proposta pela primeira vez na terça (25), mas especialistas já afirmam ser improvável que a medida atraia investidores para os EUA.

O “Trump gold card” (cartão ouro de Trump) seria uma espécie de green card, a permissão para residência permanente nos EUA, e substituiria o chamado visto para investidores, que permite morar nos EUA ao investir pelo menos US$ 1 milhão (R$ 5,8 milhões) em uma empresa que tenha ao menos 10 funcionários.

Ao contrário do gold card, esse visto não prevê a possibilidade de aquisição da cidadania e exige que o dinheiro seja investido —não se trata de uma simples transferência direta ao Tesouro americano.

O visto, chamado de EB-5, é considerado por pesquisadores associados ao Congresso americano como sujeito a fraudes, dada a dificuldade de verificar se o dinheiro investido tem origens lícitas. Entretanto, permissões para residência atreladas à riqueza são comuns em outros países, como em Portugal, que oferece o chamado Golden Visa a estrangeiros que investirem € 500 mil e empregarem pelo menos dez pessoas.

Ainda assim, a União Europeia vem pressionando seus estados-membros a encerrar ou restringir programas do tipo, que podem causar forte aumento na especulação imobiliária e trazem benefícios mínimos ao PIB, além de aumentar os riscos de evasão fiscal e corrupção, segundo o bloco.

Em 2021, um estudo de programas do tipo conduzido pela London School of Economics afirmou que os investimentos trazidos por cidadãos que buscam esse tipo de visto “representam uma parcela minúscula” do total do investimento estrangeiro desses países, com um impacto econômico praticamente irrelevante.

Segundo a fala de Trump, a venda dos títulos será importante para o abatimento da dívida dos EUA. O país gastará neste ano, pela primeira vez na história, mais com juros para financiar o endividamento público recorde do que o valor destinando para a área militar. Serão US$ 892 bilhões em juros ante US$ 824,3 bilhões com a Defesa.

Para cobrir esse valor, os EUA precisariam vender pelo menos 180 mil gold cards por ano —o visto EB-5, em comparação, teve apenas 10 mil emissões no período entre 2023 e 2024.

O Relatório sobre Dívida Global do Institute of International Finance (IIF) destacou que há uma tendência de alta na relação dívida pública/PIB no conjunto das nações, mas que, em alguns países, ela é “notadamente mais forte”. Além dos EUA, o IIF citou nominalmente Brasil, Hungria, Irlanda e Nigéria.

Nesse contexto, segundo Trump, o gold card vai atrair “pessoas ricas e muito bem-sucedidas, que vão gastar muito dinheiro, empregar um monte de gente e pagar um monte de impostos. Vai ser um grande sucesso”. O mecanismo também permitiria, após certo período de tempo, que seu portador se torne cidadão americano.

O republicano disse que não pretende criar muitas restrições a respeito de quais nacionalidades poderiam comprar o gold card, abrindo a possibilidade que cidadãos de países rivais dos EUA, como a Rússia e a China, possam eventualmente comprar uma forma de obter a cidadania americana.

O visto EB-5 já é utilizado principalmente por chineses de alta renda em busca de uma forma de permitir que seus filhos estudem em universidades americanas, segundo especialistas em migração.

Economistas ouvidos pela agência de notícias Reuters dizem que o gold card provavelmente não será bem-sucedido em atrair investidores internacionais principalmente em razão da alta carga tributária dos EUA em comparação com outras opções ao redor do mundo.

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