“Nós precisamos pensar em reconciliar essas eleições, nós precisamos pensar nessa perseguição que há nesse país”, prosseguiu.
Trump esteve em um tribunal federal em Miami, na Flórida e se declarou inocente das 37 acusações sobre o caso. No discuso de hoje, afirmou ser legal para ele ter a posse dos documentos, já que haviam coisas pessoais entre os papéis.
“Acusar um ex-presidente dos Estados Unidos é um ato impossível, é um ato tão terrível que nós podemos pensar nessa ameaça. Me processar por causa de papéis da Presidência é algo inimaginável fazer isso com a lei americana”, citou.
Segundo o procurador especial Jack Smith, o ex-presidente manipulou documentos confidenciais trazidos para seu resort em Mar-a-Lago, na Flórida, e se envolveu em uma conspiração para obstruir a Justiça.
As acusações criminais do Departamento de Justiça aumentam o risco legal em torno do favorito do Partido Republicano em 2024.
O assessor de Trump, Walt Nauta, também foi acusado formalmente e compareceu ao tribunal ao lado do ex-presidente.
A audiência histórica marca a primeira vez na história dos EUA em que um ex-presidente responde a acusações criminais na Justiça federal.
Do lado de fora do tribunal, apoiadores de Trump organizaram manifestação para declarar apoio ao ex-presidente.
Em março deste ano, Trump se tornou o primeiro ex-presidente americano a responder acusações criminais formais, na Justiça estadual de Nova York, em um caso envolvendo a estrela de cinema adulto Stormy Daniels.
Entenda as acusações
Donald Trump supostamente manteve documentos confidenciais em vários lugares em seu resort Mar-a-Lago, incluindo um salão de baile público, um quarto e até mesmo em um banheiro.
De acordo com a acusação contra Trump divulgada na última sexta-feira (9), o resort da Flórida sediou mais de 150 eventos sociais, incluindo casamentos, estreias de filmes e arrecadação de fundos entre janeiro de 2021 e agosto de 2022, quando o FBI executou uma busca aprovada pelo tribunal nas instalações para os documentos.
Embora o Serviço Secreto tenha protegido Trump e seus familiares depois que ele deixou o cargo, a agência não foi responsável pelas caixas ou conteúdo, nem o ex-presidente disse que os documentos classificados estavam no local, afirma a acusação.
Alguns documentos classificados continham informações sobre a defesa dos EUA e capacidades nucleares que exigiam tratamento especial, prossegue a investigação.
Inicialmente, alguns dos papéis foram empilhados no palco do Salão Branco e Dourado de Mar-a-Lago, segundo a acusação. Os promotores descrevem o salão de baile como um espaço onde “ocorriam eventos e reuniões”.
Os promotores alegam que Trump tomou várias medidas para obstruir a investigação sobre o manuseio de documentos confidenciais. Ele recomendou a seu advogado para dizer ao Departamento de Justiça que não tinha os registros solicitados pela intimação.
Além disso, alega, Trump instruiu seu assessor, Walt Nauta, a mover as certidões para ocultá-las dos próprios advogados de Trump e de agentes do FBI. Foi sugerido ainda a seu defensor que destruísse os documentos solicitados pela intimação.
“O objetivo da conspiração era que Trump guardasse documentos confidenciais que ele havia levado da Casa Branca e os escondesse e ocultá-los de um grande júri federal”, explica a imputação.