Trump envia mais um porta-aviões, o maior do mundo, contra o Irã
Grupo de ataque do porta-aviões USS Gerald Ford, ao centro, sobrevoado por um B-52 e caças F/A-18 - Marinha dos EUA - 13.nov.2025
por Folha de S.Paulo
O presidente Donald Trump ordenou o envio de um segundo grupo de porta-aviões para o teatro de operações em torno do Irã, aumentando a pressão sobre a teocracia durante negociações acerca do programa nuclear do país persa.
O USS Gerald R. Ford, maior e mais moderno navio de guerra do mundo, começou a se deslocar em direção ao Mediterrâneo, onde se posicionará perto da costa de Israel, fechando o flanco oeste de um eventual ataque ao Irã.
Ao sul, no mar da Arábia, já está desde janeiro o grupo de ataque liderado pelo USS Abraham Lincoln. O navio está participando de diversos exercícios simulando ações de guerra, e na semana passada um caça F-35 que havia decolado dele derrubou um drone iraniano de vigilância próximo à belonave.
“É difícil fazer um acordo com eles [iranianos]. À vezes, você precisa ter medo. É a única coisa que resolve a situação”, afirmou Trump na sexta-feira (13). “Ele [o porta-aviões] estará pronto” caso as negociações falhem, disse em evento com militares.
Mais tarde, ao ser questionado pela imprensa sobre uma possível derrubada do regime no Irã, Trump respondeu: “Essa parece ser a melhor coisa que poderia acontecer”.
O Ford integrava a operação Lança do Sul, que opera desde o fim de 2025 no Caribe com o objetivo teórico de coibir o tráfico de drogas na região, mas cujo ponto principal até aqui foi o ataque à Venezuela em 3 de janeiro, quando forças especiais americanas capturaram o ditador Nicolás Maduro e sua mulher.
A ação na região continua, ainda que reduzida por ora a ataques pontuais a barcos que seriam de narcotraficantes. Há muitos ativos na região, e na quarta-feira (11) um destróier colidiu com um navio de apoio durante um reabastecimento.
O novo porta-aviões e sua escolta deverão chegar a posição de ataque em cerca de uma semana. Também na terça (10), quando levantou a ideia de mandar mais um porta-aviões, Trump havia dito que “ou chegamos a um acordo [com o Irã], ou teremos de fazer algo muito duro”.
O acordo em questão, na visão americana, é acabar com o programa nuclear do Irã. Israel, que no ano passado travou 12 dias de guerra com a teocracia e viu os EUA bombardearem pela primeira vez instalações atômicas do rival, quer mais: remover as capacidades de emprego de mísseis balísticos de Teerã.
Os iranianos não aceitam as condições, e deixaram isso claro na primeira rodada de negociações indiretas com os americanos, realizada em Omã há uma semana. O país aceita controlar e reduzir o potencial ofensivo de seu estoque de urânio enriquecido, mas não abre mão do programa para fins pacíficos.
No acordo que durou de 2015 a 2018, abandonado por Trump no primeiro mandato, os aiatolás permitiram inspeções frequentes em troca de fim de sanções, além de renunciar à bomba atômica. Depois, passaram a produzir matéria-prima que hoje pode render até 15 armas de baixo rendimento. Novas negociações devem ocorrer em breve.
A pressão de Trump aproveita o momento delicado da teocracia, que reprimiu violentamente os maiores atos contra o regime islâmico instalado em 1979 no país em janeiro. O americano chegou a ensaiar apoio aos manifestantes, mas agora voltou-se ao que de fato interessa a ele e ao aliado Estado judeu.
O envio do Ford é simbólico, dado que é o principal navio dos EUA e o primeiro de sua classe. Impulsionado por dois reatores nucleares, ele entrou em operação em 2017 com tecnologias avançadas, como o emprego de catapultas de aviões eletromagnéticas —mais eficazes do que aquela a vapor, como as que equipam a classe anterior, Nimitz, da qual o Lincoln faz parte.
Ao todo, os EUA têm 11 grupos de porta-aviões, mas apenas 4 estão no mar agora. O candidato mais óbvio para ir ao Oriente Médio era o do USS George H. W. Bush, que está em treinamento no Atlântico Norte e operava de sobreaviso.
Mas a imagem do Ford e o fato de que o envio do Bush interromperia um processo cíclico de certificação parecem ter mudado a opinião da Marinha, segundo relatos feitos a diversos meios, como a agência Reuters ou o jornal New York Times.
Contra o deslocamento há o fato de que a missão do Ford estava no fim: em geral, porta-aviões ficam nove meses no mar, e ele já estava havia oito. Antes do Caribe, o navio operava no Mediterrâneo para onde voltará.
Capacidade para tal e sustento para os quase 5.000 militares que transporta há. A alternativa de enviar o USS George Washington, que está no Pacífico, mas do ponto de vista tático isso concentraria recursos numa mesma região, o mar da Arábia. Já estrategicamente, deixaria o Pacífico contestado pela China sem um grupo de porta-aviões.