Universidade pública exonera professor acusado de assediar e constranger alunos
Cartaz instalado na Unesp em Marília com frase supostamente dita pelo professor Rafael Salatini - Reprodução/DCE Unesp
A Unesp (Universidade Estadual Paulista) exonerou um professor acusado de assediar e constranger estudantes. Rafael Salatini foi desligado na última terça-feira (11), conforme publicado no Diário Oficial do Estado.
Denúncias contra ele foram feitas por 44 alunos em maio do ano passado. O Centro Acadêmico de Relações Internacionais entregou à ouvidoria da instituição um documento com os relatos, que motivaram uma apuração interna.
Os casos, acessados pela reportagem, envolvem o comportamento do professor do Departamento de Ciências Políticas e Econômicas da Faculdade de Filosofia e Ciências, em Marília, durante as aulas. Ele é acusado de fazer comentários ofensivos, muitos de cunho sexual, misógino e racista.
Esta reportagem entrou em contato com o advogado de Salatini na tarde da quarta-feira (12), solicitando um posicionamento sobre o caso. No entanto, até a publicação deste texto, a defesa não enviou resposta e não atendeu mais às ligações.
No documento entregue à Unesp, os estudantes descreveram vários episódios de constrangimento por parte do professor. Durante suas aulas, ele falaria repetidamente sobre suas experiências de relacionamento. Em uma dessas ocasiões, teria afirmado ser difícil encontrar uma parceira sexual limpa.
Outros relatos seguem a mesma linha. Salatini afirmaria que as mulheres são o lado passivo nas relações. Quando abordava questões de gênero, usaria alunas como exemplos, muitas vezes as qualificando de tontas e sonsas.
Além da intimidação, alguns relatos envolvem assédio. Em uma situação, ele teria abordado duas graduandas e insinuado como flertaria com elas em uma festa.
Em outro caso, um estudante contou que o professor teria perguntado quanto o aluno cobraria “para lhe dar a bunda” e oferecido uma quantia.
Outros depoimentos acusam Salatini de racismo. Segundo os relatos, ao ler sobrenomes na lista de chamada, o docente fazia comentários depreciativos sobre a possível origem dos estudantes, atacando o continente africano e o leste europeu. Em outras ocasiões, teria afirmado que africanos e latinos não usam o cérebro.
O Centro Acadêmico de Relações Internacionais da Unesp comemorou a exoneração de Salatini. “Agradecemos a ajuda de cada estudante nesta luta”, declarou. O DCE (Diretório Central dos Estudantes) também se manifestou, destacando que a conquista foi resultado da luta incansável dos estudantes de Marília, que se organizaram coletivamente em torno dessa pauta, a qual incomodava o corpo discente há anos.
Professor da Unesp desde 2010, Salatini lecionava em disciplinas obrigatórias do primeiro e terceiro ano do curso de relações internacionais.