Valdemar elogia Lula por escolha de Lewandowski para Ministério da Justiça

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Valdemar Costa Neto.

A decisão de Lula (PT) de indicar o ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski para o Ministério da Justiça recebeu elogios do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, enquanto foi recebida com ironia pelo deputado cassado Deltan Dallagnol (Novo-PR) e pelo senador Sergio Moro (União Brasil-PR).

À Folha de S. Paulo, o dirigente do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro classificou o magistrado como homem de bem e de comportamento firme.

“Lewandowski tinha tudo para ir para o Ministério da Justiça. Ele é preparado, homem de bem, homem que sempre teve comportamento firme. [Lula] Acertou, como no caso do [Cristiano] Zanin, não foi boa indicação?”, disse.

O presidente do PL exaltou a escolha do então advogado de Lula para a vaga do STF no ano passado.

“Na segurança, vai ter que investir muito nisso. Os municípios, os estados e o governo federal. A situação tá caminhando muito mal no Brasil”, completou.

Lula anunciou, na quinta-feira (11), a indicação do magistrado aposentado para comandar o Ministério da Justiça.

Valdemar lembrou de quando Lula nomeou Lewandowski para o Supremo, em 2006, durante o seu primeiro mandato. O PL ocupava a Vice-Presidência da República, com José de Alencar.

Ele disse que à época, José de Alencar quis saber do então indicado, de quem tinha pouco conhecimento. Valdemar, que assim como Lewandowski é de São Paulo, disse que ele era um “homem muito sério”.

Nos bastidores, outros bolsonaristas também foram elogiosos ao ministro aposentado do Supremo. A avaliação é de que ele tem bom trato e pode ser mais aberto ao diálogo com oposição do que seu antecessor na pasta, Flávio Dino —que deixa a Esplanada para tomar posse como novo ministro da corte.

Por outro lado, Moro e Deltan foram irônicos. Ambos compararam a indicação do ministro aposentado à declaração de parcialidade de Moro —ex-juiz e ex-ministro de Bolsonaro— na condução de casos contra Lula, em 2021.

A decisão do STF de declarar Moro parcial teve como consequência a anulação das provas coletadas nos processos contra Lula na Operação Lava Jato. Entre os motivos para Moro ser considerado parcial estava a ida para o primeiro escalão de Bolsonaro, também no Ministério da Justiça.

Na quinta (11), o senador publicou no X (ex-Twitter) que aceitar cargos em ministérios “não é e nunca deveria ter sido causa de suspeição”.

Já Deltan citou, na mesma rede, um conjunto de decisões favoráveis a Lula e ao PT, como o acesso de arquivos hackeados da Operação Spoofing e o despacho contra o uso de provas do acordo de colaboração da Odebrecht.

Mencionou ainda casos julgados pelo magistrado aposentado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e disse que as determinações serviram de base “para diversas decisões do TSE que beneficiaram a candidatura de Lula durante a corrida eleitoral”.

“Agora que Lewandowski se tornou ministro da Justiça de Lula, as decisões que ele tomou em benefício de Lula e do PT serão anuladas? Lewandowski terá sua parcialidade pró-Lula e pró-PT reconhecida?”, afirmou Deltan, ex-coordenador da força tarefa da Lava Jato.

Valdemar Costa Neto virou alvo nas redes sociais de apoiadores de Bolsonaro por falar bem das gestões passadas de Lula, hoje seu adversário eleitoral. Mas ele se diz mal compreendido e chama de “fake” o trecho de uma entrevista recente sobre o tema, concedida a um jornal do interior de São Paulo e que viralizou. Não por negar os elogios, mas porque diz que o trecho da entrevista, concedida em dezembro, foi tirado de contexto.

No vídeo, Valdemar afirma que Lula tem prestígio e é fenômeno por chegar onde chegou. A declaração foi dada ao jornal O Diário, da região de Mogi das Cruzes (SP), e compartilhada nesta sexta (12) até mesmo por petistas. Apoiadores de Bolsonaro, por sua vez, reagiram: “Comunista”, disse um internauta.

“O que eu falei do Lula, eu falei porque é verdade. Se eu não falar a verdade, perco a credibilidade, que é o que me resta na política. Ninguém pode negar que ele foi bom presidente. Ele elegeu a Dilma [Rousseff]. Só que eu tava fazendo comparação: o Lula tem prestígio, Bolsonaro tem uma coisa que ninguém tem no planeta, carisma”, disse Valdemar.

“Eles [extrema direita] descem o cacete em mim quando eu falo isso. [Mas] Tivemos o vice do Lula, José de Alencar, que era de direita. Participamos do governo. Como é que vou falar mal do Lula? Se eu falar, não sou um cara sério”, completou.

Valdemar disse ainda que a repercussão do vídeo, com o trecho editado, foi “coisa do PT”. Também minimizou o episódio e disse que Bolsonaro nem ligou para ele por isso.

Valdemar ainda afirmou que ele e o ex-presidente torcem pelo sucesso do governo, pelo bem do país, mas criticou medidas econômicas do Lula 3.

“Estamos torcendo para ele acertar, porque estamos querendo ver o Brasil ir bem. [Mas] Acho difícil, temos que fazer economia, poupar, não gastar dinheiro do governo para fazermos o que precisamos fazer, investir em saúde, educação, segurança pública. Segurança está barbaridade”, declarou.

Nas redes sociais, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) publicou o trecho do vídeo em que Valdemar dá a entrevista ao jornal de Mogi das Cruzes. Farias afirmou que só acreditaria que Valdemar elogiava Lula se visse o vídeo. Após compartilhar a entrevista, escreveu: “Não tem como! O Lula é o cara!”.

No trecho da entrevista que viralizou, Valdemar afirma que Lula não tem comparação com Bolsonaro e que o presidente petista é “camarada do povo”.

“O Lula é completamente diferente do Bolsonaro”, afirma Valdemar. O político afirma que Lula é um “fenômeno” por ter “chegado aonde chegou”. Ele também elogia a atuação de Lula em governos anteriores.

Segundo o político, o presidente petista é diferente de Bolsonaro porque tem prestígio, embora não tenha “o carisma que Bolsonaro tem”. “O Lula tem prestígio. Popularidade. Ele é conhecido por todos os brasileiros. O Bolsonaro não. O Bolsonaro teve um mandato só”.

Valdemar também afirmou que Moro errou no julgamento de Lula na Lava Jato. Moro passou pelo governo Bolsonaro, ensaiou uma candidatura ao Planalto e foi eleito senador. Agora, enfrenta um processo de cassação.

“Se ele [Lula] errou em alguma coisa, ele tinha que ser condenado, tudo dentro da lei. O Moro errou. O Moro superou os limites da lei. E ninguém imaginava que o Moro queria ser presidente da República”, afirmou Valdemar na entrevista ao diário de Mogi.

“Quando eu falo isso [que Moro ultrapassou os limites da lei], o pessoal da direita fica bravo comigo. Amanhã é um cacete em cima de mim na internet, mas é verdade”, afirmou.

Valdemar citou a condução coercitiva de Lula para depor na época da Lava Jato como um exemplo de má conduta do ex-juiz e disse que Moro “passou do limite da lei para aparecer, para ser candidato a presidente”. O presidente do PL ainda disse que o ex-juiz “vai pagar caro” e que vai ser cassado.

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Deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) comenta entrevista de Valdemar Costa Neto, presidente do PL – Reprodução @lindberghfarias

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