Valdemar respondeu a todas as perguntas que a PF fez na investigação sobre golpe, diz defesa

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Presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por Vladimir Netto, Isabela Camargo

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, respondeu a todas as perguntas feitas pela Polícia Federal no depoimento da quinta-feira (22), sobre tentativa de golpe de Estado.

A PF marcou para esta quinta o depoimento de diversos investigados no caso. De acordo com as apurações da polícia, um grupo — do qual fazia parte o presidente Jair Bolsonaro, militares e políticos –, se articulou para deslegitimar as instituições com informações falsas e reverter o resultado das eleições de 2022, impedindo a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Valdemar prestou depoimento na sede da Polícia Federal em Brasília. Ao final, a defesa dele divulgou uma nota:

“A defesa de Valdemar Costa Neto informa que o Presidente Nacional do Partido Liberal compareceu à Polícia Federal na data de hoje, 22/02/2024, e respondeu todas as perguntas que lhe foram feitas. A defesa não fará qualquer comentário sobre as investigações”, diz o texto.

Quem também respondeu às perguntas, de acordo com seu advogado, foi o ex-ministro da Defesa Anderson Torres.

Alguns investigados, por outro lado, optaram por exercer o direito de ficar em silêncio. Entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro e também:

  • Augusto Heleno (general e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional)
  • Mário Fernandes (ex-ministro substituto da Secretaria-Geral da Presidência)
  • Almir Garnier (ex-comandante geral da Marinha)
  • Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa)
  • Walter Souza Braga Netto (ex-ministro e ex-candidato a vice na chapa de Bolsonaro)
  • Ronald Ferreira de Araújo Junior (oficial do Exército)

Investigações

Entre as provas usadas para embasar a investigação está a gravação de uma reunião de Bolsonaro, ministros e militares em julho de 2022, quando ele ainda era presidente.

Segundo a Polícia Federal, o então presidente da República exigiu que seus ministros — “em total desvio de finalidade das funções do cargo” — deveriam promover e replicar, em cada uma de suas respectivas áreas, todas as desinformações e notícias fraudulentas quanto à lisura do sistema de votação, com uso da estrutura do Estado brasileiro para “fins ilícitos e dissociados do interesse público”.

Ainda de acordo com o documento da Polícia Federal, na reunião gravada, o então ministro chefe do GSI, general Augusto Heleno, afirmou que conversou com o diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para infiltrar agentes nas campanhas eleitorais, mas adverte do risco de se identificarem os agentes infiltrados.

Nesse momento, Bolsonaro — possivelmente verificando o risco em evidenciar os atos praticados por servidores da Abin, segundo a PF — interrompe a fala do ministro, determinando que ele não prossiga em sua observação, e que posteriormente “conversem em particular” sobre o que a Abin estaria fazendo.

O então ministro do GSI afirmou de forma categórica que deveriam agir contra determinadas instituições e pessoas. E que uma virada de mesa deveria ocorrer antes das eleições.

“Então, o que tiver que ser feito tem que ser feito antes das eleições. Se tiver que dar soco na mesa, é antes das eleições. Se tiver que virar a mesa, é antes das eleições. Depois das eleições, será muito difícil que tenhamos alguma nova perspectiva”, diz Heleno.

Em outro momento da reunião, Bolsonaro diz que “o plano B, tem que botar em prática agora”.

“Só pra gente prestar atenção. […] A fotografia que pintar no dia 2 de outubro acabou, porra! Quer mais claro do que isso? Nós estamos fazendo a coisa certa, mas o plano B tem que botar em prática agora”, afirmou Bolsonaro na ocasião.

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