Vamos ter que resolver problemas da família Bolsonaro para ganhar as eleições, diz Valdemar
Valdemar Costa Neto em entrevista a jornalistas em São Paulo - Evandro Macedo/Lide
por Folha de S. Paulo
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse na tarde da segunda-feira (30) que os problemas da família Bolsonaro precisarão ser resolvidos para que o senador Flávio Bolsonaro (PL) possa vencer o presidente Lula (PT) nas próximas eleições.
Há um racha entre os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). O atrito é maior com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), mas Michelle ainda não se engajou na pré-campanha de Flávio.
Valdemar afirmou ainda que Eduardo se enganou ao dizer na Cpac, a maior conferência conservadora do mundo, que gravava um vídeo para mostrá-lo ao pai, que está em prisão domiciliar. “Michelle falou que não entra telefone lá [na casa de Bolsonaro] de jeito nenhum.”
Em entrevista a jornalistas, o presidente do PL também descartou que a senadora Tereza Cristina (PP) ou que Michelle possam ocupar a vice na chapa de Flávio Bolsonaro.
Valdemar participou de um almoço do grupo Lide, do ex-governador João Doria, em São Paulo. Durante o evento, respondeu a perguntas da plateia. O empresário Basilio Jafet perguntou a ele sobre a possibilidade de que brigas na família e falas mais radicais de integrantes do clã possam atrapalhar Flávio Bolsonaro na corrida eleitoral.
“Se não resolvermos esses problemas dentro da família, o Eduardo não volta para o Brasil. Temos que ganhar as eleições”, disse o presidente do PL.
Eduardo está vivendo em autoexílio nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.
Valdemar afirmou ainda que terá uma reunião com o senador no fim de semana para tratar deste assunto.
Em sua fala, o presidente do PL defendeu uma mulher para a vaga de vice de Flávio, afirmando que foi um erro manter o general Walter Braga Netto na vice de Bolsonaro em 2022, já que o ex-presidente enfrentava dificuldades com o eleitorado feminino.
Valdemar disse que a senadora Tereza Cristina, que vinha sendo cotada para o posto, é um “máximo”, e também enalteceu o trabalho de Michelle Bolsonaro à frente do PL Mulher.
O presidente do PL também comentou o caso Master, dizendo que a base do governo Lula não quer assinar uma CPI sobre o assunto. “É um sinal que deve ter gente do governo envolvido nisso”, afirmou.
A direita bolsonarista vem tentando associar o escândalo do Master ao governo federal, buscando desgastar a imagem de Lula. A pré-campanha de Flávio Bolsonaro acredita que o assunto prejudicará a campanha do presidente.
Os principais nomes mencionados no caso até o momento, no entanto, são de direita. O senador Ciro Nogueira (PP), por exemplo, é um dos políticos mais ligados a Daniel Vorcaro, dono do Master, e atuou no Congresso em defesa dos interesses do banco. Vorcaro também era próximo de outros líderes do centrão, como Antonio Rueda, presidente do União Brasil.
Durante entrevista a jornalistas, Valdemar afirmou que Tereza Cristina disse a ele na semana passada que pretender concorrer ao Senado novamente. O presidente do PL também descartou Michelle na vice de Flávio, afirmando que “ela tem o mesmo nome” e que “tem que abrir para os outros partidos”.
Valdemar disse ainda que tem dúvidas sobre a pré-candidatura do governador Ronaldo Caiado (PSD), confirmada na segunda-feira. Ele afirmou que Caiado é de direita e que tem certeza que apoiará Flávio no segundo turno. “Caiado é um grande candidato. Flávio [quando] presidente vai convidar todos esses governadores que tiveram sucesso para fazer parte do governo.”
O presidente do PL também foi questionado sobre declaração de Flávio Bolsonaro na Cpac a respeito de uma suposta interferência do ex-presidente americano Joe Biden nas eleições brasileiras de 2022.
Flávio reproduziu uma teoria conspiratória que circula desde o ano passado entre grupos trumpistas e bolsonaristas, que afirma que a Usaid, agência federal dissolvida pelo presidente americano Donald Trump, financiou a vitória do petista.
A Folha perguntou a Valdemar se Flávio desconfia do processo eleitoral, assim como o pai, condenado pelo Supremo Tribunal Federal pela tentativa de golpe de 2022. “Tem confiança. Não custa no Brasil fazer as urnas com comprovante, mas não existe corrupção nas urnas brasileiras. Já sabíamos que Bolsonaro iria perder a eleição por um milhão de votos. Perdeu por dois. Agora, não custa fazer o voto impresso para dar garantia para uma conferência”, ele respondeu.
Depois da derrota de Bolsonaro, o PL pediu a invalidação dos votos de partes das urnas eletrônicas, com base em um relatório que, segundo especialistas, partia de conclusões incorretas e tinha uma série de lacunas.