Venezuela liberta dirigente opositor próximo a María Corina Machado após oito meses de prisão
Ex-deputado Juan Pablo Guanipa durante um protesto em Caracas em 9 de janeiro de 2025, meses antes de ser preso - Federico Parra - 9.jan.2025/AFP
O ex-deputado venezuelano Juan Pablo Guanipa, dirigente próximo à Nobel da Paz e líder opositora venezuelana María Corina Machado, foi libertado da prisão no domingo (8). A sua saída ocorre um mês após a líder interina da Vevezuela, Delcý Rodríguez, anunciar o início de um processo processo de soltura de presos políticos.
A informação foi confirmada por Ramón Guanipa, seu filho. “Anuncio que meu pai, Juan Pablo Guanipa, foi libertado há minutos. Depois de mais de oito meses de prisão injusta e mais de um ano e meio separados, toda a nossa família poderá se abraçar novamente em breve”, escreveu ele em uma mensagem na rede social X.
A ONG Foro Penal disse que 11 presos políticos foram libertados no domingo (8) —o grupo de direitos humanos havia confirmado anteriormente que o regime havia solto 383 pessoas. O advogado Perkins Rocha, coordenador jurídico da oposição da Venezuela, também foi libertado.
Juan Pablo Guanipa, 61, foi detido em 23 de maio de 2025 por supostamente participar de uma conspitação contra as eleições. Ele foi acusado de terrorismo, lavagem de dinheiro e incitação à violência e ao ódio —crimes normalmente imputados a presos políticos pela ditadura chavista.
O dirigente esteve na clandestinidade por meses e sua última aparição pública foi em 9 de janeiro de 2025 para acompanhar María Corina a um protesto contra a nova posse de Maduro após as eleições 2024, que foram acusadas de fraude e reconduziram o ditador a um terceiro mandato.
Após sair da prisão, Juan Pablo Guanipa gravou um vídeo em que diz que há “muito o que conversar sobre o presente e futuro da Venezuela”, à medida que avança um processo de anistia na nova era pós-Nicolás Maduro.
“Dez meses escondido, quase nove meses aqui detido [em Caracas”, disse Guanipa nas imagens compartilhadas na rede social. “Hoje estamos saindo em liberdade. Muito o que conversar sobre o presente e o futuro da Venezuela, sempre com a verdade pela frente”, acrescentou.
Já Perkins Rocha, também um aliado próximo a María Corina, foi preso em 2024. Ele representava a oposição perante o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
As libertações de presos políticos foram anunciadas em 8 de janeiro, cinco dias após a captura do ditador Nicolás Maduro durante uma incursão militar dos Estados Unidos na Venezuela. A organização havia confirmado anteriormente que 383 presos políticos foram soltos no último mês.
O regime, que sempre negou a existência de presos políticos, fala em 900 pessoas soltas, mas não fornece lista de nomes ou detalhes.
O projeto de lei de anistia foi discutido pela Assembleia Nacional na quinta-feira (5). Segundo Delcy, o avanço da proposta significa um passo fundamental rumo à “paz e reconciliação nacional”.
O texto, aprovado de forma unânime em uma primeira votação, abrange acusados de “traição à pátria”, “terrorismo” e “incitação ao ódio”, crimes normalmente imputados a presos políticos. “Um acontecimento muito importante ocorreu para a Venezuela”, disse Delcy após os parlamentares darem sinal verde à proposta.
Se promulgado, o projeto deve conceder clemência imediata a detidos por participarem de protestos políticos e criticarem figuras públicas, devolver os bens dos presos e cancelar alertas da Interpol e outras medidas internacionais, permitindo que retornem ao país.
O texto exclui “violações de direitos humanos” e “crimes contra a humanidade”, mas inclui “infrações” cometidas por juízes, promotores e outros funcionários.
Delcy anunciou no fim de janeiro a proposta, além da pretensão de transformar o célebre presídio Helicoide, em Caracas, em um centro para esportes e serviços sociais. Abrangendo casos de 1999 até 2026, ou seja, todo o período chavista, a proposta afetará centenas de detidos e ex-prisioneiros libertados condicionalmente.
Por outro lado, há um receio entre grupos de direitos humanos de que a anistia seja estendida para autoridades do regime.