Vídeo: Lula recebe rainha da Dinamarca e agradece devolução do Manto Tupinambá
Lula recebe a rainha Mary Donaldson no Palácio do Planalto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu na manhã da sexta-feira (4) no Palácio do Planalto a rainha da Dinamarca, Mary Donaldson, que está em viagem ao Brasil.
Antes, a rainha consorte, que é casada com o rei e portanto não é chefe de Estado, esteve em Manaus e visitou a Floresta Amazônica e a sede do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia)
Segundo o governo brasileiro, os dois trataram de questões ambientais, de investimentos na indústria da saúde. Lula ainda agradeceu a rainha pela devolução do Manto Tupinambá.
Durante o encontro, os dinamarqueses também anunciaram um investimento de R$ 864 milhões da empresa Novo Nordisk, na planta de Montes Claros, em Minas Gerais. Esse investimento será destinado para modernizar a linha de produção de insulina e implementação de projetos de sustentabilidade na planta, ao longo deste ano e do próximo.
“Inaugurada em 2007, essa planta é responsável por todo o processo de produção de diferentes tipos de insulina e é uma das principais fornecedoras desse produto para o Sistema Único de Saúde do Brasil”, informou na nota o governo.
A Dinamarca é uma das principais doadoras para o Fundo Amazônia. Durante o encontro, o presidente Lula ressaltou que o Brasil mantém o compromisso de zerar o desmatamento da floresta. E também ressaltou o interesse e o objetivo do país de se tornar referência no processo de transição energética.
“Lula falou sobre o processo de reconstrução do Brasil e da reconstrução dos laços do País com o mundo, porque, no governo anterior, ninguém queria visitar o Brasil nem receber o presidente brasileiro. Também explicou como o país quer aproveitar as oportunidades na transição energética, de ter uma matriz energética renovável, com 90% da sua energia elétrica oriunda de fontes limpas”, informou o governo brasileiro, em nota.
O presidente convidou a Dinamarca a participar da Aliança Contra a Fome, que o Brasil lançará no encontro do G20, em novembro, no Rio de Janeiro.
O brasileiro também agradeceu a devolução do Manto Tupinambá, que chegou este ano ao Brasil.
O manto do povo Tupinambá, que estava há três séculos em Copenhague e foi cedido pela Dinamarca, desembarcou no Brasil sob sigilo há cerca de três meses. A peça integra o novo acervo do Museu Nacional, destruído por um incêndio há seis anos.
Um dos primeiros povos indígenas que tiveram contato com os europeus na América do Sul, os tupinambás encaram o manto como um artefato sagrado. Ele é usado em rituais por caciques e líderes indígenas, que acreditam que as peças devem estar próximas ao seu povo de origem.
A relíquia tem 1,2 metro de comprimento e é feita de penas vermelhas de pássaros guarás, que estão fixadas em uma trama de fibras naturais. Estava na Dinamarca desde 1689, segundo registros oficiais, sob guarda do Museu Nacional da Dinamarca.
A rainha também teria manifestado solidariedade em relação às enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul e às secas e incêndios em outras regiões do país.
“Também relatou que Brasil e Dinamarca compartilham muitos valores e ideias comuns. Que entre os temas da visita estavam o acesso à saúde por telemedicina, igualdade de gênero e preservação ambiental. Ela destacou que começou sua visita por Manaus, conhecendo a Amazônia e os efeitos da seca”, acrescenta a nota.