Vorcaro tem novo advogado e partirá para a delação premiada
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em evento com lideranças políticas e do setor privado em São Paulo
por coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro tem novo advogado, indicando que partirá para uma negociação de delação premiada.
O advogado Pierpaolo Bottini, do escritorio Bottini & Tamasauskas, está deixando o caso, subestabelecendo uma procuração para o advogado José Luis Oliveira Lima.
Ele alega motivos pessoais para tomar a decisão. A interlocutores, já vinha afirmando que não participaria de negociação para delação premiada no caso do ex-banqueiro.
Um dos advogados mais respeitados do pais, Oliveira Lima já conduziu delações premiadas delicadas, como a do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, no auge da Operação Lava Jato.
Ele defendeu também o ex-ministro José Dirceu na época do escândalo do mensalão, em 2012, e representou o general Braga Netto, ex-ministro de Jair Bolsonaro, no processo da tentativa de golpe de Estado no Brasil.
Oliveira Lima advogava para o Banco Master antes da liquidação da instituição pelo Banco Central, em novembro.
O ex-banqueiro já aventava a hipótese de fazer delação antes mesmo de ser preso, há duas semanas, por decisão do ministro do STF André Mendonça.
Ele aguardava o julgamento da Segunda Turma da Corte para tomar a decisão final. Na sexta (13), foi mantido preso pelos magistrados.
Ao determinar a prisão de Vorcaro, Mendonça entendeu que fatos contemporâneos mostrariam que o dono do Master quebrou as regras das medidas cautelares impostas anteriormente a ele.
O ex-banqueiro já havia sido preso em novembro, quando a instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central.
Foi solto na sequência, mas tinha que usar tornozeleira e não podia sair da cidade de São Paulo. Isso não teria impedido que ele, por exemplo, tratasse com interlocutores da contratação de influenciadores para criticar o Banco Central e outras instituições.
A decisão de Mendonça de prender novamente Vorcaro foi tomada também porque a Polícia Federal encontrou no celular do empresário mensagens que mostravam que ele mantinha uma milícia privada com o objetivo de coagir e ameaçar seus desafetos.
Em uma das mensagens enviadas a Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, que trabalhava com ele e tinha o apelido de Sicário, o ex-banqueiro falava que é preciso “moer essa vagabunda”, referindo-se a uma funcionária que o estaria ameaçando.
Foram encontradas também mensagens que citam uma tentativa de assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, como forma de intimidação.
“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, disse o ex-banqueiro a Sicário.