Xadrez da eleição presidencial por ora só comporta dois jogadores
Foto: Pexels/Reprodução
Por Ricardo Noblat
No momento está assim, segundo gente próxima a Lula e a Bolsonaro. O ex-presidente quer liquidar ainda no primeiro turno a fatura da eleição para não correr o risco de ser engolido por um eventual tsunami anti-PT no segundo turno.
O presidente vai suar a camisa para não ficar de fora do primeiro turno, com a esperança de no segundo beneficiar-se da rejeição a Lula. Quer dizer: até aqui e de certa maneira, os dois admitem precisar um do outro para se eleger.
É por isso que Lula continuará fazendo acenos ao centro e à direita, como o mais recente de aproximar-se de Geraldo Alckmin para que seja seu vice. Bolsonaro fará ao contrário: a entrada em cena do ex-juiz Sérgio Moro empurrou-o para a extrema-direita.
Nas contas dele, só a fidelidade de sua base mais radical poderá salvá-lo de uma derrota humilhante no primeiro turno. Portanto, nada de concessões ao centro e à direita. A não ser que Moro fique pelo meio do caminho e que João Doria (PSDB) não decole.
Tanto Lula quanto Bolsonaro não acreditam nas chances de Ciro Gomes (PDT) crescer. Ciro está ensanduichado por eles, e com dificuldades de atrair apoios à direita e ao centro. A eleição é um tabuleiro de xadrez que por ora só comporta dois jogadores.
Lula joga com as pedras brancas, Bolsonaro com as pretas, na defensiva.