Zelenski volta a falar em encontro com Putin, mas Rússia mina expectativa
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante visita à Noruega, em 20 de março de 2025 — Foto: NTB/Ole Berg-Rusten/via REUTERS
O presidente Volodimir Zelenski anunciou na sexta-feira (25) que os negociadores da Ucrânia e da Rússia começaram a discutir a possibilidade de uma reunião com Vladimir Putin. O Kremlin afirmou, no entanto, que uma cúpula entre os presidentes só poderia acontecer como passo final para selar um acordo de paz.
“Precisamos acabar com esta guerra, o que provavelmente começará com um encontro entre os líderes”, afirmou o presidente ucraniano.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, esfriou rapidamente as expectativas, dizendo ser “pouco provável” que tal encontro aconteça até o fim de agosto. “Uma reunião de cúpula pode e deve colocar o ponto final em um acordo e consolidar as modalidades e os entendimentos elaborados pelos especialistas. Agora, é possível realizar um processo tão complexo em 30 dias? Está claro que isso parece pouco provável”, disse.
Um dos negociadores ucranianos afirmou, após a mais recente e breve rodada de negociações de paz entre os dois países na quarta (23), que Kiev propôs uma reunião entre Putin e Zelenski em agosto por estar dentro do ultimato de 50 dias estipulado na semana passada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a conclusão de um acordo.
Trump ameaçou aplicar novas sanções à Rússia e também a países que continuam comprando suas exportações, caso um cessar-fogo não seja firmado até o início de setembro —o que inclui aliados do Kremlin no Brics, como China, Índia e Brasil.
A ameaça, no entanto, tem sido recebida com ceticismo em Moscou. Pessoas próximas ao Kremlin apontam que o prazo dado por Trump seria “convenientemente dilatado” e destacam o ritmo lento da ajuda militar americana à Ucrânia —que, no momento, depende mais fortemente do apoio dos países europeus da Otan, a aliança militar ocidental liderada pelos EUA.
Com as negociações ainda paralisadas, um dos poucos avanços foi o início de uma nova rodada de troca de prisioneiros —desta vez incluindo também civis. Cerca de 1.200 pessoas foram libertadas na quarta.
Diante do impasse, Peskov reiterou que as posições de Moscou e Kiev são “diametralmente opostas” e que uma reconciliação exigirá “trabalho diplomático muito complexo”.
Enquanto a Rússia condiciona qualquer cúpula à retirada ucraniana de regiões ocupadas e ao fim da ajuda ocidental, Kiev insiste para que o encontro entre os líderes seja o ponto de partida a um cessar-fogo imediato de 30 dias monitorado pelos EUA —condição rejeitada pelo Kremlin, que recusa o envolvimento direto de Washington.
Com Reuters e AFP