Trump e Xi têm ‘bom diálogo’ por telefone a poucos dias da posse do americano
Donald Trump, presidente dos EUA, e Xi Jinping, líder da China, cumprimentam-se antes de encontro bilateral às margens do G20 em Osaka, no Japão, em 2019 - Kevin Lamarque - 29.jun.19/Reuters
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da China, Xi Jinping, conversaram por telefone na sexta-feira (17), de acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua.
Trump confirmou a conversa e disse que discutiu comércio, fentanil e TikTok com o líder chinês. “A ligação foi muito boa para a China e para os EUA”, escreveu o americano em sua plataforma de mídia social. “Xi e eu faremos todo o possível para tornar o mundo mais pacífico e seguro.”
O chinês parabenizou Trump por sua vitória na eleição. Xi disse que os EUA e a China podem ter suas diferenças, mas devem respeitar os interesses centrais um do outro, e que as relações comerciais podem ser mutuamente benéficas e sem conflitos. Foram comentários semelhantes aos que ele fez durante o primeiro mandato do republicano.
Foi a primeira ligação entre os dois desde a vitória de Trump na eleição em novembro. Há uma série de dificuldades diplomáticas e econômicas iminentes que desafiam as relações EUA-China.
Uma delas é o banimento da rede social chinesa TikTok dos EUA, o que Trump quer evitar. A Suprema Corte americana confirmou nesta sexta uma lei que exige que a ByteDance, dona da plataforma, venda seus ativos nos país até domingo (19) para um comprador não chinês, ou será banida por preocupações relacionadas à segurança nacional.
“Minha expectativa é que resolveremos muitos problemas juntos e começando imediatamente. Discutimos equilibrar o comércio, fentanil, TikTok e muitos outros assuntos”, escreveu Trump.
Presidente-executivo do TikTok, Shou Chew, vai comparecer à posse de Trump na próxima segunda (20) e foi convidado a se sentar numa posição considerada de honra, segundo o jornal The New York Times. Dentre os convidados, o chinês deve se juntar a Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e Elon Musk na cerimônia.
Por outro lado, Xi levantou outras preocupações, incluindo o caso de Taiwan. Para Pequim, a China continental e a ilha são duas partes de uma só China. De acordo com a CCTV, ele teria dito que essa questão diz respeito à soberania nacional e à integridade territorial chinesa, e espera que os EUA lidem com isso com cautela.
Em seu primeiro mandato, Trump ofereceu forte apoio a Taiwan. Mas durante a campanha no ano passado, o republicano afirmou que a ilha deveria pagar aos EUA para ser defendida.
O vice-presidente chinês, Han Zheng, também vai participar da posse em Washington. “Estamos prontos para fortalecer o diálogo e a comunicação com o novo governo dos EUA, gerenciar adequadamente as diferenças, expandir a cooperação mutuamente benéfica e promover em conjunto o desenvolvimento estável, saudável e sustentável das relações China-EUA”, disse ele à CCTV.
Em 6 de janeiro, Trump disse que ele e Xi têm se comunicado por meio de representantes. O republicano manifestou otimismo sobre a relação entre os países.
Embora o discurso de política externa trumpista seja amigável, tudo indica que, em seu segundo mandato, o presidente eleito prosseguirá com a guerra comercial que inaugurou ao assumir a Casa Branca pela primeira vez e que foi, em certa medida, mantida pelo democrata Joe Biden.
Trump nomeou vários críticos da China para cargos-chave em sua nova administração, incluindo o senador Marco Rubio como secretário de Estado.
Ele também disse que vai impor uma tarifa adicional de 10% sobre produtos chineses, a não ser que Pequim faça mais para impedir o tráfico do altamente viciante narcótico fentanil. Ele chegou a ameaçar tarifas superiores a 60% sobre produtos do país asiático durante a campanha eleitoral.