Suspeito de torturas em série, incluindo adolescentes de 14 e 17 anos, é preso; ‘Bastante cruel’, diz delegada
O suspeito chega à sede da Deam de São João de Meriti com o rosto coberto por um capuz — Foto: Reprodução
Um suspeito de cometer torturas em série foi preso, na terça-feira passada (12), por policiais da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de São João de Meriti (RJ). Ele é acusado de agredir a pauladas uma adolescente de 14 anos, com quem namorou, e ameaçar parentes dela, entre eles uma criança de 2. Em outro episódio, o homem, de 27 anos, usou ferramentas quentes, alicate de unha e provocou queimaduras com água fervente em outra mulher com quem manteve um relacionamento e uma jovem de 17 anos. A violência aconteceu na frente de uma menina que é filha do acusado.
— Os crimes são graves e bárbaros contra as mulheres. Ele é acusado pela prática dos crimes de tortura, cárcere privado, ameaça e perseguição contra as suas vítimas. Esse autor escolhe suas vítimas, em regra adolescentes menores de 18 anos, passa a se relacionar com elas na forma de um namoro e desenvolve com elas um relacionamento abusivo — disse a delegada Vanessa Martins, titular da Deam.
De acordo com a policial, esse relacionamento abusivo vira um relacionamento violento, com a prática de atos de tortura:
— Quer seja para aplicar castigos pessoal quer seja para constranger (as vítimas) a confessar fatos com os quais ele cisme. E assim ele passa a agredi-las de modo bastante cruel. Os relatos das vítimas são bastante assustadores, mesmo para nós.
Vanessa disse ainda que a importância da prisão é identificar outras vítimas, que a polícia acredita que existam, e para estimulá-las a denunciar o agressor. A policial disse ainda que os alicates de unha eram usados para cortar a ponta dos dedos das mulheres. Uma delas o classificou como um “psicopata” durante seu depoimento.
Surra com madeira
A investigação sobre o suspeito — capturado no bairro Rocha Sobrinho, em Mesquita, na Baixada Fluminense, e contra quem foi cumprido um mandado de prisão preventiva — começou a partir da denúncia da adolescente de 14 anos. Ela relatou ter sido levada a um terreno baldio, onde foi torturada. A vítima levou pauladas em diversas partes do corpo, incluindo a cabeça. O motivo, segundo a garota, era forçá-la a contar com quem já havia se relacionado antes. Depois da agressão, o homem começou a stalkear a vítima nas redes sociais e a fazer ameaças contra ela e sua família.
Ela também contou aos agentes que não foi o primeiro episódio de violência, que sofreu. A vítima afirmou que já vinha sofrendo diversas agressões durante o relacionamento, como pauladas e cintadas. De acordo com a adolescente, os ataques não tinham motivos aparentes.
Um outro inquérito da Deam já havia indiciado o agressor por tortura, cárcere privado e ameaça contra a ex-companheira e a adolescente de 17 anos. A mulher contou aos policiais que vivia escondida com a filha por medo do homem. De acordo com a vítima, o acusado constantemente a perseguia por meio das redes sociais e fazias ameaças contra ela e contra a criança.