Trump diz que Irã derrubou helicóptero americano, e EUA voltam a atacar país

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Mulher caminha pelas ruas de Teerã, capital do Irã - Sha Dati - 8.jun.26/Xinhua

Os Estados Unidos na terça-feira (9) atacaram o Irã depois que o país persa derrubou um helicóptero de ataque no estreito de Hormuz, informou o Comando Central americano em comunicado.

As forças americanas “começaram a lançar ataques em legítima defesa contra o Irã, por ordem do comandante-em-chefe, em resposta à derrubada ontem de um helicóptero Apache do Exército dos Estados Unidos”, diz a publicação oficial no X. “A missão é uma resposta proporcional à injustificada agressão iraniana.”

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o Irã abateu o helicóptero citado. Trump prometeu retaliar. “Eles derrubaram um helicóptero, e estamos respondendo neste momento”, disse. “Acredito que a resposta deve ser muito forte, muito poderosa, e é isso que esta é.”

Trump disse que os dois pilotos envolvidos na derrubada do helicóptero não ficaram feridos.

A mídia estatal do Irã informou que a ilha de Qeshm, no estreito de Hormuz, foi atacada e que o impacto de um projétil foi confirmado em Sirik. Explosões foram ouvidas em áreas do leste de Hormozgan, segundo a agência de notícias Fars. Não está claro se as explosões estão relacionadas ao ataque americano.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, não abordou diretamente o incidente, mas declarou que forças estrangeiras na região correm o risco de se envolver em acidentes ou fogo cruzado. “Para reduzir o risco, a melhor solução é que eles saiam”, escreveu, também nas redes sociais. Após a nova ofensiva americana, Araghchi afirmou que nenhum ataque ou ameaça ficará sem resposta.

O episódio aumenta ainda mais a tensão em torno do acordo de paz para encerrar a guerra e reabrir Hormuz, um corredor vital para passagem de petróleo e outras commodities. Trump tem dito repetidamente que Irã e Estados Unidos estão próximos de um acerto, embora tenha havido poucos sinais de progresso desde que um frágil cessar-fogo entrou em vigor no início de abril.

Um drone da Marinha dos EUA encontrou e resgatou os dois tripulantes, disse o Exército americano, depois que o helicóptero de ataque caiu em águas próximas à costa de Omã por volta das 3h desta terça-feira (horário local).

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA não deu nenhuma razão para a queda. Disse que os soldados foram resgatados após duas horas e que estavam em condição estável —uma avaliação mais cautelosa do que a descrição de Trump.

Em um conflito paralelo, Israel atacou a histórica cidade portuária de Tiro, no sul do Líbano, matando pelo menos oito pessoas. Foi o ataque mais mortal na cidade desde que os combates eclodiram no Líbano no início de março, quando o grupo extremista Hezbollah lançou foguetes contra Israel.

Um vídeo verificado pela agência de notícias Reuters mostrou destroços espalhados por uma estrada no local do ataque.

A recusa de Israel em encerrar sua campanha contra o Hezbollah, apoiado pelo Irã, tem dificultado os esforços de Trump para transformar um frágil cessar-fogo na guerra mais ampla entre EUA-Israel e Irã em um acordo duradouro. Teerã exige que qualquer acordo com Washington contemple o fim de todos os ataques de Tel Aviv contra o Líbano.

Irã e Israel também trocaram ataques aéreos no início da semana, o que resultou em pelo menos duas mortes na capital iraniana.

Trump disse ao site Axios na segunda-feira que alertou o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, para não voltar à guerra com o Irã: “Eu disse: ‘Bibi, é melhor você ter cuidado, ou você ficará sozinho muito em breve'”, afirmou o americano.

No norte de Israel, também nesta terça, tropas israelenses operando na área de Ramim Ridge, perto da fronteira com o Líbano, mataram uma pessoa em um incidente no qual estariam revidando ataques sofridos, segundo o Exército. De acordo com os militares, um homem teria cruzado a fronteira a partir do território libanês e disparado contra os soldados, mas nenhum deles ficou ferido.

Israel nunca interrompeu sua campanha no Líbano, que matou milhares de pessoas, dizendo que o conflito deve ser tratado separadamente de qualquer cessar-fogo entre EUA e Irã. O Hezbollah também continuou seus ataques.

Ao mesmo tempo, Teerã continuou a bloquear a maior parte do tráfego marítimo pelo estreito de Hormuz, que antes da guerra transportava um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo. Washington impôs seu próprio bloqueio aos portos iranianos.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse na terça-feira que o tráfego de navios por Hormuz está aumentando “de forma muito significativa”, mas acrescentou que levará muitos meses para voltar aos fluxos normais de energia assim que a guerra terminar.

Trump disse que qualquer acordo de paz deve garantir que o Irã não possa desenvolver uma arma nuclear. As exigências do Irã incluem o levantamento das sanções internacionais, a liberação de bilhões de dólares em ativos congelados e o reconhecimento de seu controle sobre o estreito.

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