Aluno negro é amarrado a ‘tronco’ durante atividade sobre Dia da Consciência Negra em colégio
Colégio particular da Bahia faz apresentação com aluno negro amarrado em simulação de tronco - Reprodução/Bárbara Carine no Instagram
Um colégio particular do interior da Bahia virou alvo de críticas nas redes sociais após fazer uma atividade com um aluno negro amarrado em uma simulação de um tronco durante atividades sobre o Dia da Consciência Negra.
O caso aconteceu no Colégio Adventista de Alagoinhas, cidade localizada a 108 quilômetros de Salvador. A unidade escolar diz que as imagens que circulam nas redes sociais estão “desconectadas de seu contexto completo” e que isso “pode gerar interpretações equivocadas”.
A publicação não está mais disponível no perfil da escola. O vídeo mostra um menino negro com roupa rasgada amarrado a uma simulação de um tronco, enquanto outro menino segura um suposto chicote. As imagens tiveram repercussão ampliada nas redes sociais após a professora e escritora Bárbara Carine publicar um vídeo sobre o assunto.
Bárbara Carine venceu o Prêmio Jabuti em 2024 com o livro “Como ser um educador antirracista”.
“Uma escola de Alagoinhas, na Bahia, uma escola privada e religiosa, que decidiu fazer um trabalho na Semana da Consciência Negra em homenagem ao histórico de lutas das comunidades negras. E teve a brilhante ideia, o corpo docente, de colocar um menino negro num tronco recebendo chicotadas em memória à luta negra no Brasil. E também teve a brilhante ideia de colocar uma menina branca com uma caneta na mão assinando a Lei Áurea para representar a memória do povo negro”, disse a escritora.
A professora também mencionou personalidades importantes da luta antirracista no Brasil, como Luiz Gama, Maria Felipa e Luiza Mahin. “Mas o pessoal decidiu reproduzir dor na escola, decidiu reproduzir violência na escola, decidiu reproduzir protagonismo branco na escola. Não faz sentido”, disse a educadora.
Por meio de nota, o Colégio Adventista da Alagoinhas disse que “lamenta profundamente qualquer entendimento que tenha sido diferente dos valores que defende”. “Os vídeos que circularam nas redes sociais consistem em trechos isolados da atividade pedagógica. Estão, portanto, desconectados de seu contexto completo, o que compromete a compreensão integral do conteúdo trabalhado. A circulação de recortes descontextualizados pode gerar interpretações equivocadas e contribui para a disseminação de informações imprecisas”, diz o texto.
“O Colégio Adventista de Alagoinhas repudia qualquer forma de racismo e mantém, como valor inegociável, o compromisso com a dignidade humana, o respeito às diferenças, a igualdade e a justiça. Esses princípios estão alinhados à filosofia da Educação Adventista, fundamentada em um ensino integral, pautado em valores cristãos e humanitários”, completa a nota.