Lula escolhe líder do governo na Câmara como ministro da articulação política

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O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE) - Pedro Ladeira - 28.nov.24/Folhapress

por Folha de S.Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu o líder do governo na Câmara, o deputado federal José Guimarães (PT-CE), como o próximo ministro da Secretaria de Relações Institucionais. A pasta é a responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso.

A decisão por Guimarães foi tomada nesta semana, após consulta do governo ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A nomeação do novo ministro será publicada na próxima segunda-feira (13), com cerimônia de posse prevista para a terça-feira (14).

O posto está vago desde a saída da ex-ministra Gleisi Hoffmann, que deixou o cargo para concorrer ao Senado pelo Paraná. Um dos fatores que pesaram na escolha de Guimarães é seu papel na liderança do governo desde o início deste mandato, tendo memória de todas as negociações do Planalto com o Congresso. Desta forma, segundo políticos governistas, ele poderá dar continuidade ao trabalho da antecessora.

Outros nomes foram cogitados para o ministério antes de Guimarães. Lula desistiu de nomear o secretário-executivo do Conselhão (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável), Olavo Noleto, após ressalvas de líderes do Congresso à escolha.

Com a desistência, o presidente passou a procurar um articulador mais experimentado. Noleto já ocupou diversos cargos em gestões petistas, mas nunca exerceu um mandato eletivo, como de deputado ou senador.

Segundo interlocutores, Lula gostou do perfil de Noleto, mas avaliou que o cargo requer um nome com experiência na política cotidiana e com conhecimento sobre o equilíbrio de forças do Congresso.

A partir daí, foram cogitados os nomes do senador Otto Alencar (PSD-BA) e do ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social). Ambos são vistos como pessoas leais ao governo, mas com bom trânsito no centrão.

O senador, porém, afirmou a aliados que não poderia assumir a SRI por alguns motivos, um deles sua saúde. O plano de Otto é se reeleger senador pela Bahia. Já Wellington, que comanda o ministério responsável por programas como o Bolsa Família, demonstrou mais vontade de ajudar Lula na campanha.

A SRI cuida das relações entre o Palácio do Planalto e o Congresso. A pasta articula acordos com deputados e senadores e é responsável também pela liberação de emendas parlamentares. Dessa forma, o Planalto entendeu que Guimarães seria o nome ideal.

Com a mudança de Guimarães para o ministério, Lula escolheu outro deputado do PT para ocupar o posto de líder do governo na Câmara: Paulo Pimenta (RS). Ele foi ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência nos primeiros anos deste mandato.

Deputado federal em seu quinto mandato, Guimarães é um nome próximo ao presidente da Câmara, Hugo Motta. Também era próximo do ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), e dos demais líderes do centrão.

A interlocutores Motta elogiou a escolha do governo após ser consultado. Líderes do centrão também avaliam positivamente a escolha. Dizem que, além de ser uma pessoa com quem eles convivem diariamente no Congresso, Guimarães não tem o perfil de causar surpresas. Ele não dá “cavalo de pau”, resume um integrante da cúpula do Legislativo.

Segundo aliados, outro fator que pesou a favor de Guimarães seria uma simpatia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pelo deputado. Esse fator torna-se mais relevante porque a relação de Alcolumbre com o líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA), continua desgastada.

A escolha de Guimarães foi negociada durante semanas. O deputado planejava concorrer ao Senado pelo Ceará, e chegou a apresentar pesquisas ao Planalto para argumentar que o PT poderia garantir mais um senador caso ele concorresse.

Lula, porém, insistiu e fez o convite na última quinta-feira (09). Guimarães foi ao Ceará e fez suas últimas tratativas com o governador Elmano de Freitas (PT) e com o ex-ministro da Educação Camilo Santana, que foi um dos auxiliares que aconselharam o presidente a nomear o líder do governo.

Guimarães é um nome influente no PT e chegou a ser cotado para presidir o partido. Em 2005, quando era deputado estadual, ele ficou conhecido quando um assessor foi preso no aeroporto de Congonhas (SP) com US$ 100 mil escondidos na cueca e R$ 209 mil numa mala de mão. A Justiça Federal encerrou o processo em 2021.

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