G Magazine volta com nudez masculina como carro-chefe e interação entre usuários
Oswaldo Cardoso em prévia do ensaio que ele fez para a nova G Magazine
Por F5
Destinada ao público gay, a G Magazine fez história no Brasil ao desnudar modelos, atletas e celebridades ao longo de 16 anos de existência. Após 13 anos de hiato, os fãs nostálgicos da publicação já podem comemorar o seu retorno, mas em outro formato.
As páginas impressas darão lugar às de internet, com a proposta de funcionar também como uma rede social, com textos, imagens, vídeos curtos e interatividade entre os usuários. “A ideia principal é funcionar como uma plataforma digital, em um contexto onde coexistem conteúdo editorial, produtores de conteúdo e interação direta com o público”, adianta Rodrigo Ipolito, editor da nova versão.
A nudez masculina continuará sendo o carro-chefe. Se as fotos mais explícitas dos modelos estavam entre os principais atrativos para os antigos leitores, elas agora são opcionais. “Poderemos contar com modelos ou celebridades que somente aceitem fazer um ensaio mais soft”, explica Ipolito. “Mas a ideia é que a maioria dos ensaios seja com nu frontal e ereção.”
No que tange a quem será convidado para posar pelado na nova versão, o editor avisa que pretende manter as opções abertas, mas levando em conta a realidade atual. “Chamaremos influenciadores, modelos, artistas ou até recém-saídos de realities, claro, dependendo do caixa disponível, para que o projeto siga sustentável”, comenta.
Embora a nudez seja uma identidade da marca, Ipolito afirma que o intuito é combinar entretenimento, jornalismo, cultura pop e a produção de criadores nesse ecossistema digital. A promessa é de uma ampliar a diversidade editorial por meio de uma integração com os conteúdos das revistas Caros Amigos e Chiques & Famosos.
“Pode-se pensar em algo que mistura características de revista digital com elementos de redes sociais contemporâneas, permitindo que usuários publiquem conteúdo, interajam e também monetizem sua audiência dentro da própria plataforma”, diz.
Com relação ao acesso, a nova G Magazine deve adotar um sistema híbrido, sendo uma parte do conteúdo gratuito e outra paga mediante assinatura. Em paralelo, também haverá também uma segunda plataforma com foco exclusivamente em vídeos (produções adultas próprias da G).
Ipolito não descarta que, no futuro, a marca volte a ter uma versão impressa. Ele prevê uma expansão que pode incluir até uma linha de perfumes, caso a publicação volte a ter um impacto cultural forte.
Segundo ele, o retorno foi “uma oportunidade de reviver uma marca com potencial de mercado”. “Note que a revista saiu das bancas, mas permaneceu viva na memória”, avalia. “Dificilmente você vê uma publicação ser citada tantas vezes e ainda despertar tanto interesse como a G, nem a Playboy é assim.”
FOI BOM PARA VOCÊ?
O F5 conversou com algumas personalidades que estamparam a revista para saber o que acham do retorno da G Magazine. “Vejo com naturalidade esse retorno, tudo hoje está mais digital, mais rápido, mais conectado com o público, se aproximando de uma nova geração”, disse o cantor Latino, 53, capa da edição de julho de 2000.
O ator Rodrigo Phavanello, 49, compartilha opinião semelhante. “Hoje, com o formato digital, tudo muda, não sabemos como será esse novo modelo da G, mas é fato que o consumo migrou para a internet, que hoje domina completamente esse espaço”, avaliou o ex-integrante do grupo Dominó, que mostrou seus atributos duas vezes, em 1999 e 2001.
Ex-integrante do grupo de dança You Can Dance, que participava do programa Planeta Xuxa (Globo), Fly lembrou como foi posar na companhia de três colegas em 1999, sob o aval de Xuxa e Marlene Mattos. “Eu, Kadu e Kall ficamos muito à vontade para fazer as fotos, só o Tom que travou um pouco, e ajudou muito a nossa carreira porque estávamos lançando um disco”, afirmou. Atualmente, o ex-coreógrafo possui um estúdio de podcast e também atua na área de educação financeira.
Indagado se valeu a pena a nudez diante das lentes, Latino respondeu: “Foi uma experiência que fez parte de uma fase da minha vida e da minha carreira”. “Encarei com profissionalismo”, completou o cantor, que teria embolsado R$ 200 mil, segundo estimativas da época.
Phavanello também não se arrependeu. “A G Magazine foi, sem dúvida, uma grande vitrine na época, foi um momento importante, de visibilidade e ousadia”, elogiou. Ainda assim, ele descarta um novo ensaio sem roupas. “Estou em outro momento, mais maduro, casado e com uma família, e isso naturalmente muda algumas escolhas”, diz.
Enquanto alguns famosos não hesitam em falar sobre a publicação, outros preferem esquecer o passado. Alexandre Frota, 62, e Mateus Carrieri, 59, recordistas em capas estampadas, preferiram não comentar. “Desculpe, mas não tenho interesse em falar sobre esse assunto nesse momento”, afirma Carrieri, que posou para a revista em quatro ocasiões —assim como Frota.
Ex-galã do teste de fidelidade do programa de João Kleber, ex-ator de filmes adultos e ex-participante do reality A Fazenda, da Record, Marcos Oliver, 50, respondeu que só falaria sobre o assunto se recebesse cachê.
DÁ PRA VOLTAR DE ONDE PAROU ?
Questionada sobre a volta da G Magazine, a jornalista Ana Fadigas, criadora da marca, avalia como impossível reviver o êxito da publicação, ainda que sob novo formato. “A mesma fórmula da G impressa não traria sucesso numa revista digital —ou mesmo um outro conteúdo digital para o mesmo público”, afirma. “A marca ainda é forte, mas pertence a uma história.”
No entanto, ela fez uma ponderação sobre como acha que a revista poderia voltar a ter relevância. “Penso que a nudez digital ainda teria sucesso se fosse de homens muito famosos, e isso custaria cachês altíssimos, uma equação difícil de resolver”, diz.
Fadigas fundou a revista em 1997 sob o nome de Bananaloca. O título mudaria para G Magazine a partir da quinta edição, mas com a mesma essência. Numa era em que a nudez —especialmente masculina— ainda não estava ao alcance de todos com o advento da internet, a revista virou sucesso de vendas, chegando à tiragem de 180 mil exemplares.
A revista desnudou mais de 176 homens e chegou a flertar com vários nomes ilustres que acabaram não tirando a roupa na ocasião. Entre os que declinaram o convite estão atores como Henri Castelli, Iran Malfitano e Raul Gazolla (que pediu um cachê de US$ 40 mil, cerca de R$ 200 mil no câmbio atual).
Após uma década, a edição impressa dava sinais de cansaço, com muitos ensaios sendo vazados em blogs e sites que pirateavam o conteúdo. Em 2008, já em decadência, a G Magazine foi vendida para um grupo estrangeiro até o seu colapso definitivo cinco anos depois.
QUEM SERÁ O ‘MODELO DA CAPA’ DA NOVA G MAGAZINE?
Com lançamento previsto para maio, a revista digital em formato de rede social contará com um nome desconhecido em seu lançamento, mas de sobrenome ilustre: Oswaldo Cardoso, 25. Filho caçula do veterano ator de pornochanchadas David Cardoso, 83, e irmão do ator David Cardoso Jr.,55, o jovem contou ao F5 que o pai não somente o apoiou, como conduziu o ensaio realizado no sítio da família em Palmeiras, a 100 km de Campo Grande (MS).
Sobre a nudez, o modelo não escondeu uma dose de timidez durante a sessão de fotos, mesmo já sendo criador de conteúdo adulto. “Foi difícil ficar nu, meu pai escolheu as poses, foi um pouco embaraçoso, mas no fim correu tudo bem”, afirmou. Segundo ele, o ensaio se assemelha ao protagonizado pelo pai para a revista em 1999.