Saída dos Emirados Árabes da Opep e Opep+: o que são os grupos e como eles podem afetar seu bolso
Logo da Opep (que é Opec na sigla em inglês) durante reunião informal de membros da organização em Argel, capital da Argélia, nesta quarta-feira (28) — Foto: Reuters/Ramzi Boudina
Por Redação g1
A decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Opep+ a partir de 1º de maio reacendeu o debate sobre o papel desses grupos no mercado global de petróleo — e sobre como suas decisões influenciam os preços da energia no mundo.
O anúncio foi confirmado pelo ministro de Energia do país, Suhail Mohamed al-Mazrouei, que afirmou que a decisão foi tomada após uma revisão das estratégias energéticas dos Emirados Árabes.
Dada a importância da decisão, o g1 explica como funcionam esses grupos, que reúnem alguns dos maiores produtores do mundo, e por que suas decisões podem influenciar os preços globais — inclusive em países como o Brasil.
O que você vai encontrar nesta reportagem:
O que é a Opep
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo, conhecida como Opep (Opec, na sigla em inglês), foi criada em 1960 por países produtores com o objetivo de coordenar a produção de petróleo e influenciar os preços no mercado internacional.
Hoje, os integrantes da organização respondem por cerca de 30% da produção mundial de petróleo. No grupo, no entanto, há grandes diferenças no volume produzido por cada país.
Dados do último Boletim Estatístico Anual da Opep mostram como a produção de petróleo se distribui entre os países-membros:
- Arábia Saudita: 8,96 milhões de barris/dia
- Iraque: 3,86 milhões de barris/dia
- Irã: 3,26 milhões de barris/dia
- Emirados Árabes Unidos: 2,92 milhões de barris/dia
- Kuwait: 2,41 milhões de barris/dia
- Nigéria: 1,35 milhão de barris/dia
- Líbia: 1,14 milhão de barris/dia
- Venezuela: 921 mil barris/dia
- Argélia: 907 mil barris/dia
- Congo: 260 mil barris/dia
- Gabão: 224 mil barris/dia
- Guiné Equatorial: 57 mil barris/dia
O que é a Opep+
Em 2016, diante de um período de preços baixos do petróleo, a Opep ampliou a coordenação ao firmar parceria com outros grandes produtores. Dessa aproximação surgiu a Opep+, que reúne 23 países exportadores de petróleo.
Além dos integrantes da Opep, o grupo passou a incluir outros grandes produtores, como:
- Rússia
- Cazaquistão
- Azerbaijão
- Omã
- Bahrein
- Brunei
- Malásia
- Sudão
- Sudão do Sul
- México
Juntas, essas nações respondem por cerca de 40% da produção global de petróleo.
Como esses grupos influenciam o preço do petróleo
Os países da Opep e da Opep+ se reúnem regularmente para decidir quanto petróleo será colocado no mercado internacional. A ideia é ajustar a oferta à demanda global.
- Quando a procura por petróleo cai, o grupo pode reduzir a produção, diminuir a oferta e ajudar a sustentar os preços.
- Em momentos de maior demanda, também pode aumentar a produção, o que tende a aliviar pressões sobre o mercado.
Por isso, mudanças na composição desses grupos — como a saída dos Emirados Árabes Unidos — são acompanhadas de perto por investidores e governos, já que podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda de petróleo no mundo.
Como isso pode afetar os bolso dos brasileiros?
Mudanças na Opep e na Opep+ costumam ser acompanhadas de perto pelos mercados porque podem influenciar o preço do petróleo no mundo — e isso, por consequência, tende a repercutir no custo dos combustíveis em diferentes países, incluindo o Brasil.
Isso ocorre porque o valor do barril é um dos fatores considerados pela Petrobras ao definir os preços de produtos como gasolina, diesel, gás natural e gás de cozinha (GLP) no mercado interno.
Ainda assim, é cedo para medir qual será o impacto concreto da saída dos Emirados Árabes Unidos nos preços no país.
Primeiro, será preciso observar se a reação do mercado representa apenas uma oscilação momentânea ou se o movimento pode alterar de forma mais duradoura o equilíbrio entre oferta e demanda de petróleo.
Além disso, o preço pago pelos consumidores brasileiros depende de outros fatores além do petróleo internacional. Entre eles estão a cotação do dólar, a política de preços adotada pela Petrobras e o nível de impostos que incidem sobre os combustíveis.