Chefes em mansões e soldados miseráveis. Como age a nova cúpula do PCC

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Com Marcola enfraquecido na facção, outros chefões passaram a ditar as regras na maior organização criminosa do país

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Por Carlos Carone e Mirelle Pinheiro

Mansões erguidas em condomínios sofisticados, carrões importados, joias e muita mordomia. O poder financeiro e a opulência ostentados pela cúpula da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) contrasta com a realidade miserável dos chamados soldados da linha de frente da organização.

mansão do PCC

A coluna apurou que, após o ex-líder do PCC, Marcos Herbas Camacho, o Marcola, perder influência e ter aliados executados pela própria facção, novos chefões tomaram o poder e não se sentem confortáveis em elaborar mirabolantes planos para tentar resgatar o antigo mandatário.

Casa do PCC

Enquanto isso, os novos figurões da organização e seus familiares desfrutam do conforto que o dinheiro amealhado com o tráfico de drogas pode proporcionar. Quase todo o poder financeiro da facção é controlado por Marcos Roberto de Almeida, 51 anos, o Tuta; e Valdeci Alves dos Santos, 50, conhecido como Colorido. Em contrapartida, o baixo clero da facção não tem regalia alguma, e seus membros são ameaçados de morte caso não cumpram as ordens dos patrões.

Foto de quadra em sítio do megatraficante Gordão

Sufoco financeiro

Investigações conduzidas pela Polícia Civil de vários estados e também pela Polícia Federal já apontaram que a chave para enfraquecer o PCC é esvaziar o bolso dos seus líderes. O caminho mais curto seria identificar e neutralizar a movimentação financeira promovida pelas mulheres dos chefões, as chamadas “primeiras-damas”.

Vista para lago em propriedade de traficante ligado ao PCC

As autoridades buscam a descapitalização patrimonial e a prisão de lideranças. Somente seguindo essa toada, percorrendo esse caminho, seria possível enfraquecer a organização criminosa. Segundo policiais ouvidos pela reportagem, as “primeiras-damas” têm patrimônio milionário, como imóveis e carros de luxo, mas não teriam como justificar os bens.

Piscina em sítio do megatraficante Gordão

Apurações policiais já demonstraram que o PCC costuma utilizar postos de combustível para lavagem de dinheiro. Lojas de veículos usados e a compra de imóveis também fazem parte do cardápio para a ocultação de patrimônio, sempre colocados em nome de laranjas.

Novos líderes

Marcos Roberto Almeida, conhecido como Tuta, é apontado pelo Ministério Público de São Paulo como um dos novos líderes do PCC. As investigações indicam que ele seria o responsável pelo tráfico internacional de drogas do grupo. O traficante responde a um processo por associação à organização criminosa e lavagem de dinheiro. Tuta teria feito parte de um esquema que movimentou cerca de R$ 1 bilhão entre janeiro de 2018 e julho de 2019.

Já Valdeci Alves dos Santos tem coordenado a logística no tráfico internacional de entorpecentes da facção criminosa da Bolívia para o Brasil. Réu por uma série de crimes, como associação à organização criminosa e lavagem de dinheiro, o chefão do PCC está listado na relação de bandidos mais procurados do Brasil pelo Ministério da Justiça e, assim como o “sócio” Tuta, é suspeito de lavar R$ 1 bilhão.

Desse total de R$ 1 bilhão movimentado pelo bando com apoio de Valdeci, apenas R$ 200 milhões passaram pelo sistema financeiro em contas bancárias de laranjas e empresas fantasmas. Os valores seriam movimentados de forma fracionada, em compartimentos secretos de veículos, e ocultados em casas-cofres.

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