Bolsonaro volta a atacar eleições e exige resposta do TSE a sugestões das Forças Armadas
Jair Bolsonaro. Foto: PR/José Dias
Por Ricardo Brito
BRASÍLIA (Reuters) – O presidente Jair Bolsonaro fez novos ataques, nesta quarta-feira, ao sistema eleitoral brasileiro e exigiu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) responda às sugestões apresentadas pelas Forças Armadas para as eleições de outubro.
Durante evento no Palácio do Planalto de desagravo ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) –beneficiado por perdão presidencial após ter sido condenado na semana passada pelo Supremo Tribunal Federal (STF)–, Bolsonaro ressaltou ser ele o chefe supremo das Forças Armadas, e disse que os militares não seriam “moldura” ou ficariam apenas “batendo palmas” após serem chamados pelo TSE para participarem do processo eleitoral.
“A gente espera que nos próximos dias o nosso Tribunal Superior Eleitoral dê uma resposta às sugestões das Forças Armadas, porque eles nos convidaram e nós aceitamos, estamos colaborando com o que há de melhor que existe entre nós”, afirmou.
“E essas sugestões todas foram técnicas, não se fala ali em voto impresso. Não precisamos de voto impresso para garantir a lisura das eleições, mas precisamos de ter uma maneira –e ali naquelas nove sugestões existe essa maneira– para a gente confiar nas eleições”, reforçou.
O presidente disse que uma das sugestões é para que haja um computador para que as Forças Armadas também possam contar os votos no Brasil. Ele repetiu que haveria uma sala secreta do TSE em que se centraliza a apuração dos votos — fato inverídico e que já foi rebatido várias vezes pela corte eleitoral.
Procurado para comentar as declarações de Bolsonaro, o TSE não respondeu de imediato.
Em tom de ironia, o presidente disse que se quer dar “ar de legalidade” ao processo eleitoral ao convidar observadores internacionais, que, segundo ele, ficariam apenas olhando.
“Que observação é essa, que legalidade, com que segurança pode dizer que aconteceu as eleições”, questionou.
Há duas semanas, a Reuters revelou que em março o TSE havia feito pela primeira vez um convite para a União Europeia ser observadora das eleições deste ano. Posteriormente, o Itamaraty divulgou um comunicado em que mostrou desagrado do governo com o convite feito pelo TSE.
No evento, Bolsonaro disse –sem mostrar evidências novamente– que uma possível suspeição do processo eleitoral não atingira apenas o presidente, mas quem disputa outros cargos eletivos como senador e deputado federal.
Sem citar nomes, Bolsonaro disse que há alguns no Supremo que estariam mandando e desmandando no país. Para uma plateia repleta de parlamentares, ele afirmou ainda que quem está jogando fora das quatro linhas precisa ser levado “para dentro das quatro linhas”.