Americano que matou um homem negro que fazia jogging em bairro predominantemente branco é condenado à prisão perpétua
Travis McMichael, um dos condenados à prisão perpétua por matar Ahmaud Arbery. — Foto: Stephen B. Morton/Pool via REUTERS
Travis McMichael, um americano matou um homem negro que estava fazendo jogging em um bairro predominantemente branco da cidade de Brunswick, no estado da Georgia, em 2020, foi condenado na segunda-feira (8) à prisão perpétua pela Justiça Federal dos Estados Unidos.
Para a Justiça, McMichael matou a vítima, Ahmaud Arbery, porque o homem era negro.
Ao proferir a pena, a juíza do caso, Lisa Godbey Wood, disse que se lembrava vivamente do vídeo em que McMichael aparece matando Ahmaud com uma pistola, de perto.

McMichael e seus comparsas (o pai, Gregory McMichael, e o vizinho William Bryan) já tinham sido condenados em fevereiro por terem desrespeitado os direitos civis da vítima ao atacá-la pela raça e por tentativa de sequestro.
O caso de Ahmaud Arbery faz parte de uma série de assassinatos de negros nos últimos anos que chamaram a atenção dos americanos para a questão do racismo no sistema de justiça criminal e na aplicação da lei dos EUA.
O pai do homem morto, Marcus Arbery, disse o seguinte ao tribunal durante a audiência: “Esses três demônios partiram meu coração em pedaços que não podem ser encontrados ou reparados” e, em uma referência a Travis McMichael, ele acrescentou: “Você odeia os negros”.
Travis McMichael pediu para ser transferido do sistema penitenciário estadual para uma prisão federal, por considerar que é mais seguro. A juíza disse que as regras exigem que McMichael retorne ao sistema penitenciário estadual, onde ele já está cumprindo pena de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional por sua condenação por assassinato.
Medo de ser assassinado na prisão
Ele não testemunhou nesta segunda-feira, mas sua advogada disse que uma prisão estadual da Geórgia era muito perigosa para ele e que ele havia recebido ameaças de morte.
“Este caso envolve, pelo menos em parte, preocupações com a justiça dos ‘justiceiros'”. disse ela ao tribunal. “Percebo a ironia, juíza, ao expressar minha preocupação de que meu cliente enfrentará ele mesmo a justiça dos ‘justiceiros’.”
Segunda condenação
Os três homens já tinham sido condenados em novembro de 2021, mas no tribunal estadual, por assassinato, agressão agravada, cárcere privado e intenção de cometer um crime por perseguir e atirar em Ahmaud.