Ao Senado, Lula e Dilma dizem que Bolsonaro “sequestrou” 7 de Setembro
Redação 9 de setembro de 2022 0
Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT) afirmaram que o presidente Jair Bolsonaro (PL) “sequestrou” o feriado nacional de 7 de Setembro e defenderam reação das “autoridades institucionais”. As falas constam em ofícios encaminhados pelos petistas para justificar as ausências na sessão solene do Congresso Nacional destinada a comemorar o Bicentenário da Independência.
Em carta enviada ao presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), Lula lamenta não estar presente no evento e diz que assistiu com “profunda indignação” as falas de Bolsonaro durante os atos políticos organizados na quarta (7/9).
“Em primeiro lugar, pela tentativa escancarada de obter vantagem eleitoral com o uso de recursos públicos. E pelo sequestro de uma data que não pertence a ele, mas à nação brasileira, a exemplo do que tenta fazer com a nossa bandeira e com o verde e amarelo, são patrimônios do nosso povo”, afirma o ex-presidente.
No documento, o petista ainda diz que Bolsonaro usou o feriado para “espalhar ódio, mentiras e ameaças à democracia”. “Ele poderia ter se dirigido ao povo para falar de paz, de harmonia, de geração de emprego, de educação, de saúde, de combate à fome. Mas ele não tem nada a dizer sobre isso, porque não tem nada de positivo para apresentar, nessas ou em quaisquer outras áreas”, prossegue com as críticas.
Dilma cobra reação
A ex-presidente Dilma Roussef (PT), por sua vez, cobrou reação “a mais uma afronta do presidente da República”.
“Bolsonaro golpeia diuturnamente o Judiciário e o Legislativo, em nome de um projeto de poder autoritário e profundamente desvinculado dos anseios do nosso povo. Que a sociedade acorde e reaja antes que o império do arbítrio recaia sobre o Brasil, a cada momento que o presidente ameaça o Estado Democrático de Direito”, enfatizou.
Para a petista, as manifestações de Bolsonaro ao longo do feriado são “graves”. “Desafortunadamente, o Brasil assiste ao chefe de Estado sequestrar a data histórica em benefício de sua própria candidatura eleitoral, desafiando as leis e ignorando o rito sagrado da função institucional de quem está no comando do país”, diz.
“É grave o que assistimos ontem. Uma afronta à democracia. Mas, ainda é pior. A autoridade máxima da nação fez isso de maneira desabrida e sem compromisso com o Estado Democrático de Direito, que jurou honrar e respeitar ao ser empossado presidente da República”, completa.