A ‘síndrome de Havana’ e a indignação dos diplomatas canadenses

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© YAMIL LAGE. Um carro passa em frente à embaixada canadense em Havana, em 30 de novembro de 2021

Depois de serem enviados para trabalhar em Cuba, eles afirmam ter começado a sentir dores de cabeça, alterações visuais e náuseas: 18 diplomatas canadenses processam seu governo, alegando que novos casos continuam sendo detectados.

Oficialmente, as autoridades de Ottawa reconhecem 14 casos, o último deles registrado em dezembro de 2018, mas no total são cerca de trinta, segundo os demandantes.

O advogado Paul Miller, de Toronto, representa diplomatas que reivindicam pelo menos 28 milhões de dólares em danos.

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“Continuamos recebendo ligações. Temos casos recentes, de 2021”, afirma.

Uma fonte próxima ao tema mencionou dois casos neste ano, que levaram à saída precipitada de diplomatas.

Ainda sem explicação, esses “incidentes de saúde”, como os governos dos Estados Unidos e do Canadá costumam descrevê-los, apareceram pela primeira vez em Cuba em 2016.

Diplomatas dos dois países começaram a se queixar de ouvir sons agudos, enxaquecas, vertigens e náuseas. Danos cerebrais também foram diagnosticados.

Desde então, outros casos foram relatados na China, Alemanha, Austrália, Rússia, Áustria e até em Washington, mas a mídia cunhou o termo “síndrome de Havana”.

Ataques por ondas de rádio, histeria em massa devido ao estresse, efeito de produtos químicos usados contra mosquitos: os cientistas levantaram diferentes hipóteses nos últimos anos, sem chegar a conclusões definitivas.

As autoridades cubanas negam qualquer má intenção. “Nem a Polícia Cubana, nem o FBI, nem a Real Polícia Montada Canadense descobriram evidências de ataques a diplomatas em Havana, apesar das intensas investigações”, disse a Academia Cubana de Ciências em setembro.

– Tratamento “diferente” –

Os afetados diplomatas canadenses lamentam não ter recebido a mesma atenção que os americanos e questionam se o bom entendimento com Cuba não os prejudicou.

Se as relações entre Cuba e os Estados Unidos, com exceção de uma breve trégua entre 2014 e 2016, foram marcadas por tensões, as relações entre a ilha e o Canadá são muito diferentes.

Ottawa nunca rompeu seus laços com Havana, nem mesmo depois da revolução de Fidel Castro de 1959, e tem sido historicamente o principal fornecedor de turistas ao país caribenho.

O governo canadense “priorizou o relacionamento com Cuba em detrimento de seu próprio povo”, disse um diplomata. Ele afirma que recebeu ordens de não falar com ninguém sobre seus problemas de saúde, nem mesmo com o seu médico particular.

Em uma resposta por escrito enviada à AFP, o ministério das Relações Exteriores do Canadá afirmou que “leva muito a sério a saúde, segurança e proteção dos canadenses” e que “continua monitorando a saúde e a segurança de seu pessoal diplomático em Havana”.

ka-tib/rd/lp/yow/jc

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