Agora, Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações de Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do BNDES e ex-diretor do BC, identifica alguns movimentos que buscam atenuar essa tensão. Esses gestos, contudo, estão restritos ao presidente do Banco Central e ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Do lado do BC, indica o economista, houve o reconhecimento de que há um esforço do governo para diminuir o risco fiscal do país. E, se isso acontecer, os juros podem diminuir. Essa ressalva, ou “baixada de bola”, como define Mendonça de Barros, está presente na ata publicada na terça-feira (7/2) pelo Comitê de Política Monetária do BC (Copom), na qual o órgão justificou sua decisão de manter os juros em 13,75%.
Haddad, por sua vez, amenizou as críticas que vinha fazendo ao BC. Ele definiu a ata do Copom como “mais amigável” do que pronunciamentos anteriores feitos pelo órgão.
Como apaziguar os ânimos
Agora, observa o economista, há uma saída técnica que pode atenuar ainda mais o problema. Nesta semana, o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), foi de apenas 0,06% em janeiro de 2023, após avançar 0,31% em dezembro de 2022.
Mendonça de Barros nota que houve queda acentuada nos preços do atacado, algo que deve repercutir no varejo nos próximos cinco ou seis meses. “Com base nesse indicador, e enquanto espera a definição do novo arcabouço fiscal do governo (prometida até abril), o BC poderia renunciar momentaneamente a uma ação mais rígida para reduzir a inflação”, diz. “Ou seja, isso poderia levar a uma pequena queda da taxa de juros e, de quebra, apaziguar os ânimos do governo, o que já seria um benéfico para o país.”
O economista, apesar da sugestão de saída para o problema entre governo e BC, vê a situação com ceticismo. Ele tuitou na tarde da quarta-feira (8/2): “O brasileiro assiste novamente a um presidente em uma guerra feroz – e que certamente vai acabar mal. Bolsonaro negando a vacina contra a Covid e Lula defendendo um pouco mais de inflação”.