Após reunião com Lula, Padilha diz que governo ‘não está sendo derrotado naquilo que é essencial’

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Alexandre Padilha. Foto: Matheus Veloso

Após derrotas que expuseram a fragilidade da base do governo no Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comandou na manhã da segunda-feira (3), no Palácio do Planalto, uma reunião com a equipe responsável pela articulação política.

No entanto, após o encontro com Lula, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, argumentou que o governo não está “sendo derrotado naquilo que é essencial”.

“Nada do que aconteceu na sessão do Congresso surpreendeu os articuladores políticos do governo. E nós fizemos o debate porque esse debate é importante ser feito”, disse o ministro.

Muito raro time ser campeão de pontos corridos sem ter algum tipo derrota. (…) Você não pode é perder o mata-mata. Não pode perder a final. (…) Nós não vamos perder o mata-mata. Não estamos sendo derrotados naquilo que é essencial para a recuperação econômica e para recomposição das políticas sociais do país”, continuou Padilha.

O ministro afirmou que Lula e equipe têm “total noção realista” do perfil Congresso, de maioria conservadora, e lembrou que já havia a avaliação interna sobre a dificuldade de manter o veto ao projeto que extinguia as saidinhas de presos.

Na pauta econômica, Padilha reforçou que a prioridade do governo é aprovar a regulamentação da reforma tributária.

O ministro também declarou que o governo trabalhará para aprovar no Senado o projeto que cria um programa de incentivos a veículos sustentáveis (Mover) com a previsão de retomada da taxação federal sobre importação de US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”. Governo e Câmara acordaram uma alíquota de 20% no valor do produto, aprovada por deputados.

O governo ainda avalia a estratégia sobre outro trecho do projeto, que define conteúdo nacional na indústria naval. Padilha disse que não há compromisso de sanção de Lula caso o tema seja aprovado pelo Senado.

Lula reuniu o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, os líderes do governo e representantes da Casa Civil e do Ministério da Fazenda:

  • Randolfe Rodrigues (AP), líder do governo no Congresso;
  • Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado;
  • José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara;
  • Miriam Belchior, secretária-executiva da Casa Civil;
  • Dario Durigan, secretário-executivo da Fazenda.

Lula decidiu retomar esse formato de reunião após as derrotas da semana passada, quando deputados e senadores derrubaram vetos do presidente a projetos aprovados anteriormente pelo Congresso Nacional. Na sessão conjunta de deputados e senadores, houve:

  • derrubada do veto de Lula à lei que proíbe as saidinhas de presos: os partidos com ministério deram 173 votos contra o governo, e 123 a favor;
  • manutenção do veto de Bolsonaro à criminalização das fake news eleitorais: 197 votos contra o governo Lula (manutenção do veto), e 125 a favor;
  • derrubada do veto de Lula a trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que tenta restringir gastos do governo que poderiam ofender valores conservadores: 124 votos a favor e 242 contra

Essas derrotas, com votos em massa de parlamentares de partidos com ministérios, levaram aliados de Lula a avaliar que é preciso ampliar o número de siglas com espaço na articulação política, já que a atual equipe é dominada pelo PT, partido do presidente.

Os resultados demonstraram que a base mais fiel ao governo tem pouco mais de cem deputados na Câmara, diagnóstico que Lula faz com frequência em cerimônias.

Defensores do atual modelo de articulação argumentam que é natural a dificuldade nas pautas de costume, a exemplo do veto das saidinhas de presos, mas que o governo acumula vitórias na agenda econômica.

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