Biden perdoa preventivamente parentes seus e desafetos de Trump antes de posse

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Joe Biden

Em um de seus últimos atos como presidente dos Estados Unidos, Joe Biden emitiu na segunda-feira (20) perdões preventivos para pessoas que o seu sucessor, Donald Trump, tem como prováveis alvos de retaliação, incluindo alguns familiares.

O perdão abrange todos os legisladores que serviram no comitê do Congresso que investigou a invasão do Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021, bem como policiais que prestaram depoimentos perante ele.

No grupo estava Liz Cheney, que, filha de Dick Cheney, vice-presidente sob George W. Bush, foi a mais proeminente republicana a apoiar a campanha de Kamala Harris, do partido rival ao seu, à Presidência.

Outros contemplados foram o ex-comandante do Estado-Maior Conjunto Mark Milley e o ex-conselheiro da Casa Branca Anthony Fauci, médico que teve um papel fundamental de contraponto a Trump durante a pandemia de Covid-19.

Biden ainda perdoou seus irmãos, James B. Biden, Valerie Biden Owens e Francis W. Biden, e os cônjuges dos dois primeiros, Sara Jones Biden e John T. Owens.

“Minha família foi alvo de incansáveis ataques e ameaças cujo única motivação era me atingir —o pior tipo de política partidária”, disse o líder em seu último pronunciamento como presidente. “Infelizmente, não tenho razões para acreditar que esses ataques vão parar.

Ele já tinha perdoado o próprio filho, Hunter Biden, em dezembro, depois de afirmar publicamente que não o faria.

O perdão foi anunciado quando faltavam menos de 20 minutos para o fim do mandato do democrata. Àquela altura, Biden já estava no Capitólio, local onde Trump fez mais tarde o seu juramento.

Ainda assinando como presidente, o democrata elogiou os funcionários públicos que serviram em sua gestão e disse que eles são vitais para a democracia americana. Sem mencionar Trump, declarou que alguns deles foram alvo de ameaças e intimidação por fazerem seu trabalho. Eles “serviram nossa nação com honra e distinção e não merecem ser alvos de processos injustificados e politicamente motivados”, acrescentou.

Trump tem pedido repetidamente a prisão de quem vê como inimigo desde que venceu as eleições em novembro.

A Constituição dos EUA dá amplos poderes de perdão a um presidente para crimes federais. Embora os indultos sejam normalmente concedidos a pessoas que foram processadas, eles podem abranger condutas que não resultaram em processos legais.

Em dezembro, Trump apoiou um pedido para o FBI investigar Liz Cheney por seu papel em liderar a investigação do Congresso sobre a invasão do Capitólio por seus apoiadores.

Fauci frequentemente entrou em conflito com o republicano quando este era presidente, durante a pandemia de Covid-19, e trumpistas continuaram a atacá-lo depois.

O médico disse que a Casa Branca entrou em contato com ele para discutir sobre o assunto há um mês. “Agradeço ao presidente por entrar em contato e tentar me proteger de acusações infundadas”, disse Fauci. “Não fiz nada de errado e isso não é uma admissão de culpa.”

Mark Milley, que foi o principal conselheiro militar de Trump de 2019 até o início de 2021, disse estar “profundamente grato” pelo perdão de Biden em um comunicado. Mais tarde, seu retrato foi removido do Pentágono.

A rivalidade entre Trump e Milley intensificou-se após o militar ligar para a China depois da invasão ao Capitólio em 6 de janeiro para assegurar a estabilidade dos EUA, ato que o republicano considerou traição. “Um ato tão atroz que, em tempos passados, a punição teria sido a MORTE”, escreveu ele em rede social.

Trump e seus apoiadores exigiram que Milley fosse julgado por traição. Em seu discurso de aposentadoria em 2023, o general criticou indiretamente Trump, afirmando que as tropas juram à Constituição, não a um “aspirante a ditador”.

Trump respondeu com insultos, chamando Milley de “lento e idiota”. O militar descreveu o desafeto como fascista, e aliados de Trump o acusam de deslealdade.

Biden disse que os indultados não fizeram nada de errado, e que simplesmente serem investigados ou processados poderia prejudicar suas reputações e finanças.

“Acredito no Estado de Direito, e estou otimista de que a força de nossas instituições legais prevalecerá sobre a política”, disse o democrata. “Mas estas são circunstâncias excepcionais, e não posso, de boa consciência, não fazer nada.”

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