Bisavó brasileira de 119 anos diz ser a pessoa mais velha do mundo
Deolira Gliceria Pedro da Silva, 119, toma café em casa, em Itaperuna, no interior do Rio de Janeiro - Ricardo Moraes/Reuters
A dois meses do que ela diz ser seu 120º aniversário, Deolira Glicéria Pedro da Silva, uma bisavó que vive no interior do Rio de Janeiro, está se apressando para ser reconhecida como a pessoa viva mais velha do mundo pelo Guinness World Records.
A instituição atualmente apresenta outra brasileira, a freira gaúcha Inah Canabarro Lucas, de 116 anos, como a pessoa viva mais velha do planeta, mas a família e os médicos de Deolira estão confiantes de que ela em breve tomará o título da religiosa.
“Ela ainda não está no livro, mas é a mais velha do mundo de acordo com os documentos que temos sobre ela, como descobri recentemente”, disse a neta Doroteia Ferreira da Silva, que tem metade da idade da avó.
Os documentos mostram que dona Deolira nasceu em 10 de março de 1905 na área rural de Porciúncula, uma pequena cidade no interior fluminense. Ela agora vive em uma casa colorida em Itaperuna, onde suas duas netas, Doroteia, 60, e Leida Ferreira da Silva, 64, cuidam dela.
A avó também é supervisionada por médicos e pesquisadores interessados em saber como ela superou a expectativa média de vida atual no Brasil, de 76,4 anos, por mais de quatro décadas.
“A dona Deolira terá, em 2025, 120 anos. Ela está em bom estado geral de saúde para sua condição, não está tomando nenhum medicamento”, disse o médico geriatra Juair de Abreu Pereira, que visita a idosa frequentemente e está auxiliando sua família no processo com o Guinness World Records.
Em um comunicado, a organização disse que não poderia confirmar o recebimento da inscrição de Deolira porque recebe muitas de pessoas ao redor do mundo que afirmam ser a pessoa viva mais velha. Grandes enchentes na região, há quase vinte anos, destruíram a maioria dos documentos originais dela, segundo o médico. Isso pode representar um desafio para o reconhecimento oficial de sua idade.
Mesmo que sua idade não seja precisa, Deolira certamente tem mais de 100 anos, de acordo com Mateus Vidigal, pesquisador da Universidade de São Paulo que estudou seu caso como parte de um projeto para entender a população super idosa do Brasil.
“A dona Deolira não foi excluída do estudo, mas há essa fragilidade que é a falta de documentação aprovada por essas organizações”, disse Vidigal, referindo-se a instituições como o Guinness World Records.
A dieta saudável e os hábitos de son o da idosa são fundamentais para sua longevidade, segundo o doutor Pereira. Até hoje, ela tem uma boa interação com sua família e gosta de comer bananas.
“Eu gostaria de chegar à idade dela assim”, disse a neta Leida. “Enquanto temos pressão alta e diabetes, ela não tem nada disso.”