“A Polícia Federal, eu já tive muitas visitas, acho que gostam muito de mim, e na penúltima vez perguntaram se eu era cis e eu nem sabia o que era isso”, afirmou.
O ex-presidente ainda aproveitou para usar a pergunta da PF para criticar o governo Lula. “Não é justo a política do governo federal voltando à ideologia de gênero”, disse.
A pergunta foi feita a Bolsonaro no âmbito da Operação Tempus Veritatis, deflagrada no dia 8 de fevereiro, que cumpriu mandados de prisão temporária e busca e apreensão. Eles são suspeitos de ter organizado uma tentativa de golpe de Estado para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O depoimento do ex-presidente foi tomado no dia 22 de fevereiro. Sua defesa já havia afirmado que ele não falaria à PF porque não obteve acesso à íntegra da investigação.
A questão sobre identidade de gênero faz parte de um protocolo da PF adotado com base em uma resolução do Ministério dos Direitos Humanos publicada em setembro de 2023.
O ex-presidente da República, que decidiu ficar em silêncio em relação às perguntas sobre a investigação em si, respondeu ao delegado da PF que não sabia o que era “cis”.
Posteriormente, Bolsonaro foi informado de que a pergunta fazia parte de um novo procedimento da PF, que passou a incluir os termos “transgênero” e “cisgênero” na lista de dados de pessoas que prestam depoimento à corporação.
À coluna de Paulo Capelli a Polícia Federal explicou que a inclusão da identidade de gênero em formulários tem fundamento na resolução do Ministério dos Direitos Humanos e “decorreu de estudo havido juntamente com o Ministério Público Federal em grupo interinstitucional”.
A Resolução nº 1 do Ministério dos Direitos Humanos, publicada em 2023, visa a estabelecer parâmetros para inclusão das expressões “orientação sexual”, “identidade de gênero”, “intersexo” e “nome social” nos boletins de ocorrência emitidos pelas autoridades policiais em todas as unidades da Federação brasileira.