Cabrini relembra entrevista que ‘salvou’ Oscar Schmidt: ‘Ele se sentiu poderoso novamente’

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Roberto Cabrini entrevistou Oscar Schmidt para a Record em novembro de 2022 - Divulgação

por coluna Mônica Bergamo, Folha de S.Paulo

Oscar Schmidt, morto na sexta (17) aos 68 anos, costumava dizer que o jornalista Roberto Cabrini salvou a vida dele por uma reportagem que fez com o atleta e que foi ao ar na Record em novembro de 2022. Dois anos depois, ao UOL, o ex-jogador de basquete explicou que na época da conversa com Cabrini só saía na imprensa notícias como se ele estivesse morrendo por causa da decisão que tinha tomado de interromper o tratamento contra um câncer no cérebro.

“Ele [Cabrini] que me salvou. Depois da entrevista com ele, ninguém falou mais nada [de morte]”, contou Oscar ao programa Alt Tabet, de Antonio Tabet, no canal UOL. “Ele foi na minha casa e ficou o dia todo. Falei: ‘Cabrini, vamos fazer um teste, olha pra mim durante alguns minutos e vê se estou morrendo’. Ele falou: ‘É, você não está morrendo'”, acrescentou.

À coluna, Cabrini conta que, embora já tenha feito “todos os tipos” de reportagem, essa com Oscar foi “muito especial pela dimensão que o atleta tem no mundo inteiro e pela forma com a qual ele se abriu”.

“Ele percebeu que pôde se mostrar por inteiro em um momento em que as pessoas estavam só vinculando notícias muito pessimistas em relação a ele. É uma entrevista onde ele se sentiu um grande Oscar novamente, refletindo sobre cada aspecto da vida dele. Falou pensamentos muito profundos sobre o que conquistou como atleta, como ser humano e sobre o futuro do país”, relembra o jornalista.

Cabrini relata que já conhecia Oscar há muito tempo e o entrevistou, mais uma vez, em dezembro do ano seguinte. “E ele voltou a me dizer que aquela reportagem [de 2022] tinha salvado ele, porque no momento em que havia muito pessimismo, aquela entrevista fez ele viver intensamente novamente. A gente cobriu todas as partes da vida dele, e ele se sentiu poderoso novamente.”

Ao saber da morte do atleta, o jornalista da Record afirma que ficou muito abalado. “O Oscar sempre foi uma pessoa muito transparente. Sempre falou tudo o que pensa. Isso é muito raro em grandes homens públicos. A pessoa podia ficar chateada ou não, mas você sempre sabia o que o Oscar estava pensando.”

Cabrini complementa que o atleta também era corajoso e não pensava duas vezes na hora de fazer inimigos, se esse fosse o caso. “Mas, ao mesmo tempo, era um cara muito idealista, que lutava com todas as forças por aquilo que julgava correto. É um dos personagens mais autênticos que eu tive a honra de conhecer.”

“Tudo que você via nele, desde uma palavra mais forte até um grande sorriso, era espontâneo”, diz.

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