Covid e HIV: PGR pede que STF retire Moraes de ação contra Bolsonaro
Alexandre de Moraes, ministro do STF. Foto: Nelson Jr./SCO/STF
Por Daniela Santos
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ministro do Luiz Roberto Barroso assuma a relatoria do inquérito que investiga o presidente Jair Bolsonaro (PL) por associar as vacinas contra a Covid-19 ao vírus HIV. O atual relator é o ministro Alexandre de Moraes.
O documento, assinado pela vice-procuradora-geral, Lindôra Maria Araújo, argumenta que Barroso é responsável por outros inquéritos semelhantes e, por isso, seria o único com competência para avaliar o caso.
“O presente inquérito versa sobre idênticos fatos de uma das petições distribuídas ao ministro Relator Luís Roberto Barroso, o único, portanto, com competência, por prevenção, para averiguar as condutas imputadas ao presidente da República”, destacou a vice-procuradora-geral.
A PGR também argumentou que a “ausência de competência por prevenção” pode levar a uma futura anulação do inquérito.
Veja a íntegra da solicitação da PGR clicando aqui.
Crimes na pandemia
Em dezembro de 2021, Alexandre de Moraes determinou a instauração do inquérito para investigar Bolsonaro por crimes na pandemia apontados pela CPI da Covid-19. A decisão ocorreu após o presidente da CPI da Pandemia no Senado Federal, senador Omar Aziz (PSD-AM), pedir a instauração de inquérito policial para apurar os supostos crimes apontados no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito.
Além disso, Moraes estabeleceu que Bolsonaro fosse investigado por relacionar, em sua tradicional live, a vacina contra a Covid-19 ao desenvolvimento da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (aids).
“Outra coisa grave aqui… só vou dar notícia, não vou comentar: ‘relatórios oficiais do governo do Reino Unido sugerem que os totalmente vacinados […] estão desenvolvendo a síndrome de imunodeficiência adquirida muito mais rápido que o previsto’. Recomendo que leiam a matéria. Talvez eu tenha sido o único chefe de Estado do mundo que teve a coragem de colocar a cara a tapa nessa questão”, disse Bolsonaro, ao ler uma suposta notícia, na transmissão ao vivo.
A declaração de Bolsonaro gerou críticas de políticos e de entidades médicas e científicas. O Facebook e o Instagram derrubaram o vídeo do presidente.
Inquérito prorrogado
Na última quinta-feira (1º/9), após pedido da Polícia Federal (PF), Alexandre de Moraes prorrogou, por mais 60 dias, o inquérito que investiga a associação feita pelo presidente entre a vacina contra a Covid-19 e a infecção pela Aids.
A vice-procuradora-Geral da República, Lindôra Maria Araujo, também se manifestou a favor da prorrogação das investigações. “Cumpre destacar que as diligências supradescritas são relevantes para subsidiar a análise e deliberação pela Procuradoria-Geral da República, visto que proporcionarão melhor detalhamento sobre o cenário fático e suas circunstâncias, notadamente com as razões e eventuais novos elementos de prova a serem apresentados pelo Presidente da República a respeito dos fatos investigados”, escreveu Lindôra.