Debate da OAB pega “fogo”, fake news, perseguição sexual, operação calvário foram algumas das pautas

0
OAB PB SIGLA

Um canal local de João Pessoa promoveu um debate acalorado entre os candidatos à Presidência da Ordem dos Advogados do Brasil, OAB-PB, na noite da terça-feira (19). Os advogados Raoni Vita, Maria Cristina Santiago e Harrison Targino, apresentaram propostas, ideias e priorizaram vários momentos de troca de acusações.

Um dos pontos polêmicos do debate envolveu o embate fora da pauta de propostas provocado por Maria Cristina Santiago que atacou com fake news o advogado Harrison Targino.

A candidata Maria Cristina Santiago questionou porque o colega teria renegado à categoria e a advocacia ao renunciar à vice-presidência da OAB-PB, em dezembro de 2004, deixando de participar do pleito para presidência da Seccional à época, após a morte do ex-presidente Arlindo Carolino Delgado. Segundo Maria Cristina, Harrison “disse não a Ordem para assumir um cargo político no Governo do Estado”.

Em resposta, Harrison Targino disse que resolveu não participar da eleição naquele ano porque atendeu ao convite para assumir “um cargo de alto relevo no Estado”.

“O coletivo da OAB que estava conosco naquele período, resolveu manifestar o desejo da ocupação por um membro da Ordem em cargo importante, de tamanha relevância. Assumi um cargo público do mesmo jeito que a Senhora assumiu, da mesma forma que o Dr. Raoni também assumiu cargo público. Não acho desvalor algum exercer cargo público em qualquer governo, desde que seja corretamente, com trabalho e ética”, frisou.

Maria Cristina voltou a afirmar que o advogado Harrison Targino renunciou a categoria para assumir um cargo político no governo. “As atitudes e o passado do candidato Harrison são de negar compromissos assumidos com a classe para prestar outros compromissos a governos e a partidos políticos”, e complementou: “O que podemos esperar de um candidato que tem interesses com vários partidos políticos e governos, que fez com que recentemente o Escritório do candidato tenha sido citado em Operação da Polícia Federal, a Operação Calvário. De que forma o candidato pretende exercer uma gestão independente?”.

Em resposta, Harrison Targino disse que a candidata incorria em fake news. “O escritório em que estive nunca foi citado em operações, e, inclusive, tenho para isso uma certidão emitida pelo Gaeco da Paraíba. Vossa Excelência sabe. Vossa Excelência está negando a sua história. Sempre exerci a minha advocacia com independência e com a minha cara exposta a todos. Exerci cargos públicos sim, mas não por parentescos”, disse.

Na sequência, ao debaterem pergunta referente às comissões temáticas da OAB-PB, o candidato Raoni Vita alfinetou os concorrentes e condenou as posturas de Maria Cristina e Harrison Targino no embate dentro do tema anterior.

“Queria lamentar o tipo de debate que vimos agora a pouco. Isso revela uma questão mal resolvida dentro de uma gestão que está perto de acabar, uma gestão que nos últimos três anos foi marcada nos últimos meses pelo revanchismo, numa tentativa de candidatura que não deu certo, veio outra candidatura e quem perde é advocacia. Não vi nenhum dos candidatos apresentarem propostas para a advocacia”, disse.

Em outro momento do debate entre os candidatos, ao tratarem sobre o tema “paridade de gênero na eleição da OAB-PB”, Raoni Vita questionou Maria Cristina Santiago sobre porque ela ‘insistia em renegar’ que fez parte da gestão do atual presidente Paulo Maia. Ele acusou a participação de membro da chapa da candidata no processo de demissão de ex-servidora da Seccional paraibana, que acusou membro da Ordem da prática de assédio sexual.

“Vou falar de assédio. Na sua chapa, candidata, a senhora (Maria Cristina Santiago) abrigou a pessoa que foi presidente da Comissão que redundou na demissão de uma funcionária que tentava se socorrer da OAB, tendo uma acusação de assédio contra uma pessoa da OAB. Essa pessoa que está na sua chapa foi quem assinou a demissão dessa funcionária que tinha 20 anos de Ordem. Como a senhora pode abrigar esse tipo de pessoas na sua chapa?”, provocou Raoni.

E, Maria Cristina respondeu: “O senhor tenta equivocar o advogado e advogada que nos assiste, candidato. Nesse episódio pelo qual o candidato se reporta, lembro que Vossa Excelência era o vice-presidente da OAB Paraíba. Pergunto, o Senhor, enquanto vice-presidente, o que fez? Eu não vi nenhuma atitude de Vossa Excelência”.

Na reta final do debate, Raoni Vita questionou Harrison Targino sobre porque o vencimento da atual anuidade teria sido antecipado para junho este ano – somente retornada para dezembro após pressão da categoria, segundo ele -, mesmo com a advocacia fragilizada pela pandemia, com muitos escritórios fechados e colegas advogados em situação financeira complicada. Por fim, questionou se Harrison acha o valor da anuidade ‘justa e coerente’.

Em resposta, Harrison respondeu que a anuidade não foi antecipada. Disse que a OAB-PB cobrava uma das menores anuidades do Brasil e que a Seccional paraibana é a única a ofertar 50% de desconto para a jovem advocacia nos cinco primeiros anos de Ordem.

“A OAB-PB tem mantido o valor da anuidade nos últimos anos, ao mesmo tempo. Mas, é preciso fazer muito mais, é preciso estar próximo da advocacia na busca de ampliação de mercados e perscrutação dos espaços de trabalho e de mercado de trabalho. Por isso, que uma das nossas principais propostas está na institucionalização de programas de apoios ao advogado, sobretudo, ao jovem advogado, através do da OAB Conecta”, disse.

Em tréplica, Raoni disse que o candidato Harrison concordava com a manutenção do atual valor, e apresentou a propostas a exemplo do cash back da anuidade, e da realização de Refis da OAB-PB. “Vamos trabalhar para que a advocacia sinta vontade de pagar a sua anuidade, e não praticar os valores estratosféricos que se praticam hoje”, finalizou.

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...