Donos de lotérica e ex-funcionária disputam bilhete premiado de R$ 29 milhões

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Imagens do circuito interno da Casa Lotérica Sinop, em Mato Grosso, em agosto de 2023 - Reprodução/TV Globo

Um bilhete ganhador da Mega-Sena está sendo disputado judicialmente entre o dono da lotérica onde a aposta foi realizada e uma ex-funcionária do estabelecimento em Sinop (MT). O caso foi revelado pelo programa Fantástico, da TV Globo, no domingo (5). O prêmio na ocasião, em 2023, foi de R$ 29 milhões.

Clarice Simon trabalhava na Casa Lotérica Sinop, da família do empresário Américo Lemke. Na tarde de 12 de agosto daquele ano, ela atendeu uma cliente que apostava no concurso 2620 da Mega-Sena, da Caixa Econômica Federal, mas a impressão do bilhete com a aposta saiu com defeito.

Clarice então refez o mesmo jogo, dando um bilhete sem falhas à cliente. Já o bilhete anterior, com defeito, foi guardado por ela em um cofre da lotérica, ao lado da mesa onde ela atendia os clientes. As informações constam no processo judicial obtido pela Folha na segunda-feira (6).

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Naquele dia, saiu o resultado do concurso e quatro bilhetes acertaram as seis dezenas sorteadas, incluindo as duas apostas iguais de Sinop.

Em 14 de agosto, como descreve o processo com base nas imagens do circuito interno da lotérica, Clarice pegou o bilhete que estava com defeito para conferir os números. Outra funcionária da lotérica ajudou a conferir, e as imagens mostram as duas mulheres depois se abraçando, aparentemente comemorando o resultado.

No mesmo dia, Clarice tentou resgatar o prêmio em uma agência da Caixa, mas, em razão da impressão com defeito, o banco definiu um prazo maior para analisar o bilhete, conforme aponta o processo judicial. Cada uma das quatro apostas tinha direito a R$ 29.058.128,28. A cliente atendida por Clarice naquele dia conseguiu resgatar o seu prêmio.

A reportagem mandou email para as defesas de Clarice e da lotérica na tarde desta segunda, mas não teve resposta até o horário de publicação.

Clarice pediu demissão no dia 15 de agosto. O administrador e sócio da lotérica, Diego Lemke, disse que ela justificou que estava deixando o emprego porque seu marido havia ganhado o sorteio.

Em outubro, contudo, ele entrou com uma notícia-crime na Polícia Civil contra Clarice, alegando que as imagens do circuito interno provavam que o bilhete não pertencia à ex-funcionária, e sim à própria lotérica.

Clarice afirma que pagou pelo bilhete que ficou com defeito, o que era praxe na lotérica quando havia algum problema na aposta, como erro de impressão.

Já o administrador da lotérica diz que a casa costumava arcar com despesas relacionadas a erros do tipo e que a regra era deixar o bilhete no cofre, para que no dia seguinte o papel fosse recolhido pela gerência.

A notícia-crime gerou um inquérito policial na Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Sinop e, em novembro de 2023, atendendo a um pedido da Polícia Civil, a Justiça Estadual determinou o bloqueio do prêmio.

No início de 2024, Clarice e seu companheiro, Cladecir Jose Picoli, foram denunciados pelo Ministério Público sob acusação de furto qualificado pelo abuso de confiança e pelo concurso de pessoas. O caso tramita sob sigilo na 1ª Vara Criminal da cidade.

Em nota, a Caixa disse que não se manifesta com relação a processos judiciais em curso. Acrescentou que “observa rigorosamente a legislação aplicável às loterias federais e cumpre todas as determinações legais e judiciais relacionadas à operacionalização e ao pagamento de prêmios”.

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