Eduardo expôs a Bolsonaro temor com ‘anistia light’ e perda de apoio de Trump

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Eduardo Bolsonaro. Foto: André Borges/Esp. Metrópoles

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acabaria se fosse aprovada uma “anistia light”, que não se aplicasse ao seu pai.

As informações estão em mensagens trocadas entre o parlamentar e o ex-presidente em julho. O conteúdo foi reproduzido no relatório final da Polícia Federal, revelado na quarta-feira (20), que indiciou os dois.

No dia 7 de julho, Eduardo afirmou que, se a “anistia light” passasse, a última ajuda vinda seria um post feito por Trump mais cedo na mesma data, em que este afirmou que o Brasil estava fazendo uma “coisa horrível” no tratamento dado a Bolsonaro.

“Neste cenário vc: não teria mais amparo dos EUA, o que conseguimos a duras penas aqui, bem como estaria igualmente condenado final de agosto”, disse.

Para a PF, Eduardo evidenciou, nestas mensagens, que a sua real intenção não seria uma anistia para os condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro, mas sim manter Bolsonaro impune.

Nas mensagens, o deputado orientou o pai a buscar conselho com outras pessoas sobre o tema. “Tire do cálculo o apoio dos EUA, qual estratégia vc tem para atingir qual objetivo? É simples”, escreveu.

No dia 10 de julho, mesmo após comemorar a decisão de Trump de impor uma sobretaxa de 50% ao Brasil, com Bolsonaro como um dos motivos, Eduardo voltou a demonstrar receio de um possível abandono do presidente americano.

“Na situação de hoje, vc nem precisa se preocupar com cadeia, vc não será preso. Mas tenho receio que por aqui as coisas mudem. Mesmo dentro da Casa Branca tem gente falando para o 01: ‘ok, Brasil já foi’. Vamos oara (sic) a próxima”, disse.

Todos os atos de Trump também foram acompanhados de pedidos de Eduardo para a elaboração de posts de agradecimento do pai ao republicano, mesmo que fosse em um “Tweet vaselina”, como chamou, em forma de reconhecimento. “O cara mais poderoso do mundo está a seu favor. Fizemos a nossa parte”, disse.

Os diálogos foram usados como elementos de prova pela Polícia Federal no indiciamento de Bolsonaro e Eduardo por suspeita de obstrução do julgamento da trama golpista.

O relatório final da investigação, entregue ao tribunal na sexta-feira (15), a PF afirmou haver indícios de que os dois cometeram crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado democrático de Direito.

A defesa de Bolsonaro disse, na quinta-feira (21), que recebeu com surpresa o indiciamento. Os advogados do ex-presidente afirmaram, em nota divulgada à imprensa, que “jamais houve o descumprimento de qualquer medida cautelar previamente imposta”.

Acrescentaram que os elementos apontados na decisão serão devidamente esclarecidos dentro do prazo fixado pelo ministro relator do caso, Alexandre de Moraes. A nota é assinada pelos advogados Celso Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Tesser.

Já Eduardo afirmou em nota, na noite de quarta-feira (20), que a atuação dele nos EUA não tem objetivo de interferir no processo em curso no Brasil e chamou de “crime absolutamente delirante” os apontamentos da Polícia Federal que resultaram em seu indiciamento e no de seu pai.

Ele disse ainda ser “lamentável e vergonhoso” o que ele chamou de vazamento de conversas entre pai e filho.

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