Defesa de Bolsonaro nega descumprimento de medida cautelar e se diz surpresa com indiciamento

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em manifestação na avenida Paulista - Jean Carniel/Reuters

A defesa de Jair Bolsonaro (PL) disse que recebeu com surpresa o indiciamento do ex-presidente e do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pela Polícia Federal, sob suspeita de obstrução do julgamento da trama golpista, em curso no STF (Supremo Tribunal Federal).

Os advogados afirmaram, em nota divulgada à imprensa, no final da manhã de quinta-feira (21), que “jamais houve o descumprimento de qualquer medida cautelar previamente imposta”.

Acrescentaram que os elementos apontados na decisão serão devidamente esclarecidos dentro do prazo fixado pelo ministro relator do caso, Alexandre de Moraes. A nota é assinada pelos advogados Celso Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Tesser.

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Eduardo afirmou em nota, na noite de quarta-feira (20), que a atuação dele nos EUA não tem objetivo de interferir no processo em curso no Brasil e chamou de “crime absolutamente delirante” os apontamentos da Polícia Federal que resultaram em seu indiciamento e no de seu pai.

Ele disse ainda ser “lamentável e vergonhoso” o que ele chamou de vazamento de conversas entre pai e filho.

O relatório final da investigação da Polícia Federal, entregue ao tribunal na sexta-feira (15), afirmou haver indícios de que os dois cometeram crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado democrático de Direito.

Aliados do ex-presidente utilizam a temporalidade como principal argumento de defesa à carta com o pedido de asilo político. A alegação é de que o documento é de 2024 — portanto, muito anterior às medidas cautelares impostas pela Corte.

Bolsonaro ficou proibido de falar com diplomatas e autoridades estrangeiras apenas recentemente. E dizem ainda que não há ilegalidade em solicitar asilo político. O que, afirmam, sequer foi concluído, apesar de o documento ter sido encontrado pela PF.

Interlocutores do ex-presidente dizem que ele chegou a considerar deixar o país, mas neste ano se convenceu de que o ideal seria continuar no Brasil e manter sua liderança.

Politicamente, o argumento de defesa do seu entorno é de insistir na tese de perseguição do STF. Para eles, o relatório da PF expôs conversas privadas e isso evidencia comportamento considerado por eles injusto da polícia. A expectativa é de que ajude a encher as ruas nas manifestações de 7 de setembro, a despeito de os últimos atos terem sido consideravelmente menores do que os do ano passado.

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